Só me lembro de que tenho HIV quando vou tomar o remédio

 

No ano de 2002 fui internado com crise de convulsão e após exames veio o resultado que eu estava com HIV já desenvolvendo para Aids com quadro de neurotoxoplasmose. A única pessoa que soube na época foi minha prima, que espalhou para outras pessoas da minha família, na época fiquei irritado, mas hoje entendo. Ela é a única pessoa que falo abertamente sobre minhas necessidades e cuidados, somos como irmãos, os demais da minha família não tocam no assunto. Antigamente viver com o diagnóstico era um peso depois que entrei no Vida Nova  aprendi a conviver com a patologia no dia a dia com outras pessoas. Hoje tenho uma vida normal só me lembro de que tenho HIV quando vou tomar o remédio. No meu caso é difícil viver com HIV, mesmo tendo pessoas que me ajudam meu jeito de ser me impede em pedir ajuda. Os momentos mais difíceis foram quando soube da doença, quando o médico me deu alta da internação e no serviço fui demitido sem direito a nada. Sem forças físicas tive que catar insumos para reciclagem, sobras de feira para poder me alimentar. Hoje não quero isso para minha vida, graças a Deus tenho minha aposentadoria e o Vida Nova que me acolhe, me deu trabalho e fez com que realizasse muitos sonhos e por isso faz a diferença em minha vida. Meu desejo é ter um companheiro soropositivo e que me aceite como sou. A vida é linda, Adilson Batista Cardoso - 52 anos.

 



O momento mais difícil de minha vida

Anônimo

Olá, fui diagnosticado soropositivo há poucas semanas e estou muito preocupado. Sou casado e sempre tive problemas com o álcool e com a cocaína, até que acabei me separando há dois meses. Fiquei três dias bebendo com uma garota que conhecia, sem dormir. Nesses três dias tomei precauções, mas na loucura de ter bebido 2 J&B junto com muita cocaína, devo ter cometido algum deslize e adquiri o vírus. Além disso, tínhamos compartilhado muito o canudo. O pior é que tomamos mais do que transamos, por isso eu achava que havia me protegido. Depois de uma semana fiquei doente e precisei ficar acamado, fui diagnosticado com mononucleose. Depois passei por um exame e me disseram que também tinha uma infecção por citomegalovírus. Por isso, o médico mandou-me fazer um exame completo, incluindo o teste Elisa. A essas alturas encontrei-me com minha ex e tivemos relações sem proteção, eu nunca imaginei que poderia ter contraído o HIV. Fiz o exame na quinta-feira. Eu estava tranquilo pensando na mononucleose e, ao dia seguinte, o doutor me chamou para dizer-me que o teste de Elisa tinha dado positivo. Fiquei louco, não entendia nada. Ele pediu que eu fizesse um Western blot, que demora mais e que também deu positivo. Ao sair dos exames eu estava arrasado, a primeira coisa que passou por minha cabeça, foi que, ainda separado de minha mulher, eu precisava contar a verdade para ela. Demorei uma semana para me sentir preparado e contar tudo. Pareceu-me uma eternidade devido à culpa e ao medo. O que eu menos queria é que ela tivesse sido infectada. Depois de um mês juntos, ela fez o teste Elisa e deu negativo, mas o doutor pediu que ela fizesse o Western por precaução. Todos os dias, peço a Deus que minha ex-mulher não tenha nada e que fique saudável com meu filho, porque estou destruído. Comecei a ir ao psicólogo porque não quero fazer nenhuma besteira. Bom, ontem fomos os dois juntos ao infectologista e temos que esperar pelos resultados.

 

 

 

 

Ela está convencida de que contraiu o vírus, apesar de o doutor ter dito que era possível que ela não tivesse sido infectada. É um momento em que finalmente estamos mais unidos que nunca, a única coisa que me dá forças para seguir adiante são meu filho e ela. Saudações a todos os que lerem esta mensagem. O desabafo me fez bem, já que ainda não posso contar isso para ninguém. Fonte: soropisitivo.org

PORTA DE ENTRADA ACOLHENDO QUEM CHEGA

As atividades do Serviço Social no Instituto Vida Nova (IVN) acontecem de acordo com a demanda. Não há uma rotina a ser seguida, a nossa atuação acontece em diversos momentos. Esta demanda ocorre desde oagendamento para atendimento, passa por atendimentos a partir da solicitação de um freqüentador das atividades até mesmo comosuporte técnico para outros profissionais do IVN. Não há um perfil que define os nossos usuários. As pessoas que nos procuram chegam espontaneamente, apresentados ou encaminhados. Existem vários momentos e diferentes fases após saber-se portador do HIV. A primeira fase, quando a notícia está recente é, na maioria das vezes, de total desespero e dificilmente se consegue trazer a pessoa para participar de alguma atividade, nestes casos eu apenas acolho e ouço, oferecendo total atenção à dor daquele momento. A segunda fase é a de negação (não fala e não aceita que se toque no assunto) pouco fala conosco, não falam nada com a família e o assunto fica na maioria das vezes restrito ao seu médico.  A terceira fase já é mais tranqüila muito embora por vezes iniciem alguma atividade no IVN e logo abandonam.  No atendimento de Serviço Social é onde se dá o acolhimento destes pacientes. Este trabalho nos propicia observar as transformações de muitas pessoas. Observar as evoluções nos remete à lembrança de quando chegaram aqui chorosos, desorientados, desesperados e hoje sorriem largamente manifestando a superação das suas dificuldades e mesmo se dizendo felizes. Ao observar estas cenas ou ouvindo do próprio paciente nos preenche de satisfação por ter contribuído para que tomassem posse de suas vidas com dificuldades sim, mas com senso de responsabilidade para adesão à vida e ao tratamento médico. Este é o nosso principal papel na vida destas pessoas. Auxiliar na sua capacitação pessoal, provocar atitudes positivas para tomada de consciência dos seus direitos e deveres, trazer a luz o exercício e até mesmo resgatar a sua condição de cidadania. Dizer que este resultado acontece com todos não seria verdade pois não depende do nosso desejo ou da nossa intenção. Entendo que em cada ser  existe  conteúdo interno de acordo com suas experiências no desenvolver das suas vidas. Para algumas pessoas basta que estendamos a mão para que ela  segure firmemente e vá se desenvolvendo para tomar as rédeas da própria vida. Já outras, precisamos dar colo, atenção e até algumas broncas para que sua autoestima retorne, e a vida se reinicie. Quem da vida às atividades oferecidas pelo IVN são as pessoas que delas participam, e são elas também que dão luz e alma à nossa atuação. Mariza Barbosa – Assistente Social  Diretora do Instituto Vida Nova


 

 

 DEPOIMENTOS


Tudo começou com uma alergia no corpo e problema no esôfago, que após várias consultas ao médico demorou em descobrir o diagnostico HIV, ainda assim não foi uma surpresa pra mim.

Ainda assim, de tudo não foi ruim, após o tratamento descobri coisas boas também. Nunca sofri preconceito de forma alguma da minha família; mesmo no período de exames de admissão para o trabalho, fiz questão de contar que tinha HIV e não houve o menor problema, pelo contrário todas sabem e me apoiam inclusive no meu trabalho. Após 8 anos com HIV vivo bem e tenho conseguido realizar meus objetivos e sonhos. Sempre estou em dia com as consultas e recebo parabéns da minha médica, espero um dia ouvir da médica que estou curada neste dia vou ser a pessoa mais feliz do que sou hoje. Eu não tenho preconceito nem medo em falar que tenho HIV, sempre que necessário dou entrevistas para imprensa e sem medo de sofrer preconceito, pois trabalho e ando sempre de cabeça erguida, ninguém tem nada haver com isso o problema é meu. Considero o a Aids como uma doença qualquer que precisa de cuidados e tratamento, ser soropositivo hoje, é muito diferente que anos passados. O tratamento é muito eficaz em se cuidando a gente fica bem e bonita, assim como sou.

Minha rotina de vida é normal, trabalho, cuido da casa, me alimento bem, tomo as medicações e saio para me divertir à procura do meu príncipe encantado.

O Instituto Vida Nova é muito importante na minha vida é uma segunda família que me trata bem.

Participo das atividades há oito anos, as que mais gosto são a academia, os grupos e atividades externas, isto me traz bem estar e uma vida saudável. Espero nunca ter lipodistrofia e acho que não vou ter, pois participo da academia e me concentro nas atividades físicas para evitar este mal; minhas amigas sofrem muito com a lipodistrofia. Portanto é fundamental procurar apoio nas ONG’s participe das atividades e faça novos amigos.

Leidioni M. dos Santos – 48 anos 


 

 

 

 

 


 


HISTÓRIAS VERDADEIRAS DE SUPERAÇAO

Querida mamãe. Estou com saudade de todos vocês e estou pensando em viajar em dezembro. Tenho fé em Deus que tudo dará certo, pretendo ir com meu marido e meus filhos.

 Mudando de assunto, quando vai ser o casamento da ...? Pois pretendo está ai. Eu ainda estou afastada do serviço, pois passei na perícia médica e continuo afastada, até o dia 01 de setembro. Mas estou bem não se preocupe. Estou preparada para voltar a trabalhar, mas tem dia que a ansiedade é maior. Preocupo-me também com a insônia, às vezes, mesmo tomando os remédios, ainda passo noites em claros, mas não perco a fé, pois meu Deus é grande e deposito nele todas as minhas forças. Portanto estou muito feliz, voltei a freqüentar a academia do Projeto Malhação Vida Nova, estou também fazendo curso de informática gratuito no Vida Nova, assim ocupo minha mente. (A.S.B)

 


 

Meu nome é Roberto; tenho 55 anos, fui casado, mas não tenho filho do último casamento. Porém tenho três filhos sendo uma menina e dois meninos. Quando fiquei internado não sabia o que tinha, mas a médica falou para mim que era AIDS. Eu queria morrer, mas Deus foi maior, pois ficava em casa triste e caminhava para uma depressão. Assim conheci o Instituto Vida Nova, comecei a fazer academia e mudou minha vida. Há um ano conheci a ? no Vida Nova e há dois meses estamos juntos, estou muito feliz e espero que Deus nos abençoe.

 


 Bem distante eu me vi parada a beira do caminho, cabisbaixa e sem direção me sentindo tão sozinha. O coração batendo angustiado vivia maus momentos. Todo dia era a mesma coisa, cansei de tanto sofrimento, mas hoje me declaro que saí desse vento, superei os obstáculos da vida com a força do Pai. Tudo que passei foi um aprendizado para mim, superei altos e baixos e venci a luta de cada dia. Hoje participo do Instituto Vida Nova que me ajuda muito, e agradeço a todos que me receberam com estimo e carinho. Sou feliz por ter superados as dificuldades que a vida nos oferece assim como o que a ONG nos propõem. (CRP)


 

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