PrEP está disponível em 36 serviços do SUS a partir deste mês

Na primeira fase, 22 municípios serão atendidos; Brasil é o primeiro país da América Latina a utilizar essa estratégia de prevenção

Publicado: 21.12.2017 

A Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) já está disponível, em 36 serviços do Sistema Único de Saúde em 22 cidades brasileiras. Os serviços começaram a receber o medicamente nesta segunda-feira, dia 18. Nesta primeira etapa da implantação, os 10 estados e o Distrito Federal atendidos, serão Amazonas (Manaus), Bahia (Salvador), Ceará (Fortaleza), Distrito Federal (Brasília), Minas Gerais (Belo Horizonte, Uberlândia, Juiz de Fora e Passos), Pernambuco (Recife), Paraná (Curitiba), Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, Niterói e Duque de Caxias), Rio Grande do Sul (Porto Alegre), Santa Catarina (Florianópolis) e São Paulo (São Paulo, Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto, Santos, São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto). Confira aqui a lista de serviços que ofertarão a PrEP.

Esses estados e o Distrito Federal foram escolhidos por terem participado de projetos pilotos da PrEP. Os outros 16 estados brasileiros serão contemplados até maio de 2018. O Brasil é o primeiro país da América Latina a utilizar essa estratégia de prevenção como política de saúde pública.

O público prioritário para PrEP são as populações-chave, que concentram a maior prevalência de HIV no país: gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH); pessoas trans; trabalhadores/as do sexo - e casais sorodiferentes (quando uma pessoa está infectada pelo HIV e a outra não). O simples pertencimento a um desses grupos não é suficiente para caracterizar indivíduos com exposição frequente ao HIV.

 “Uma série de critérios deve ser levada em conta antes da indicação da PrEP, como o número de parceiros sexuais, os outros métodos de prevenção utilizados, o compromisso com a adesão ao medicamento, entre outros”, destaca a diretora do Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken. A PrEP poderá ser indicada para pessoas, pertencentes aos grupos prioritários citados, que realizaram sexo anal ou vaginal sem preservativo nos últimos 6 meses e/ou apresentaram episódios frequentes de IST ou uso repetido da PEP.

De uso contínuo a PrEP, é preciso tomar o comprimido diariamente para ficar protegido do HIV, sendo que a proteção se inicia a partir do 7º dia para exposição por relação anal e a partir do 20º dia para exposição por relação vaginal. A PrEP só será indicada após testagem do paciente para HIV, uma vez que é contraindicada para pessoas já infectadas pelo vírus.

PrEP no mundo - A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda, desde 2012, a oferta da PrEP, que já é utilizada nos Estados Unidos, Bélgica, Escócia, Peru e Canadá, comercializada na rede privada, e na França, África do Sul, que a oferecem no sistema público de saúde. O investimento inicial do Ministério da Saúde será de R$ 8,6 milhões para 3,6 milhões de comprimidos, para atender à demanda pelo período de um ano, aproximadamente.

Aplicativos – Os profissionais de saúde, gestores e o público terão à disposição o aplicativo do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da PrEP. Reproduzido na íntegra, o app oferece a facilidade de busca aos conteúdos mais acessados por meio de títulos e subtítulos e sinalização para favoritos e opções de compartilhamento. No aplicativo também poderá ser feita a busca pelos locais em que a profilaxia é realizada no Brasil e perguntas frequentes sobre o tema. O aplicativo pode ser obtidos na Apple Store e na Google Play para smartphones com sistemas Android ou IOS.

Já na biblioteca do site do DIAHV, está disponível o guia  Diretrizes para a Organização dos Serviços de Saúde que ofertam a PrEP ao HIV no Sistema Único de Saúde. Nele, os profissionais de saúde envolvidos na oferta da PrEP terão informações sobre as rotinas e preventivas e de cuidado.

A PrEP insere-se na “Prevenção Combinada”, como forma de potencializar a proteção contra o HIV, que inclui: testagem regular; profilaxia pós-exposição (PEP); teste durante o pré-natal e tratamento da gestante que vive com o vírus; redução de danos para uso de drogas; testagem e tratamento de outras infecções sexualmente transmissíveis (IST) e das hepatites virais; uso de preservativo masculino e feminino, além do tratamento para todas as pessoas.

Cabe destacar que a PrEP não protege o indivíduo de outras infecções sexualmente transmissíveis como sífilis e gonorreia, tão pouco da gravidez. Por isso, o uso do preservativo continua sendo recomendado. 

Para mais informações acesse: www.aids.gov.br/prep

 



Instituições de diversos seguimentos foram certificadas neste mês de novembro pela organização não governamental (ONG) Instituto Vida Nova, por participar oficialmente do Projeto Agora Você Está Pronto (leia mais), ato simbólico, no qual 135 instituições parceiras demonstram a sua preocupação com a epidemia da Aids e acesso aos insumos de prevenção, fazendo com que a população tenha a sua disponibilidade a qualquer hora do dia ou noite camisinha, gel lubrificante e materiais informativos sobre DST, Profilaxia Pós Exposição (PEP) e outros. Com o apoio das parcerias o projeto disponibiliza 135 mil preservativos por mês, e se destaca por inspirar a população ao acesso desses insumos de prevenção e tomar atitudes diante das mudanças de comportamento. O Instituto Vida Nova está dedicada à prevenção das Infecções Sexualmente transmissíveis (ITS), assistência às pessoas com HIV/Aids e promoção do controle social nas políticas públicas de saúde e direitos Humanos. Saiba mais www.ividanova.org.br

  

 


 

Anaids pede ao governo melhor planejamento na implementação da PrEP no Brasil - 17/01/2018

A Articulação Nacional de Luta contra a Aids (Anaids) publicou nota questionando a forma com que o Ministério da Saúde está conduzindo a implementação da PrEP, a Profilaxia pré-Exposição, no Brasil. Segundo o documento, essa alternativa de prevenção ainda está distante de se tornar realidade. “É urgente uma divulgação efetiva dos serviços onde a Prep está sendo ofertada, com planejamento de ações de comunicação, em diversas linguagens, garantindo o acesso da informação aos usuários.”

O texto ainda reforça a importância da PEP, a Profilaxia pós-Exposição. “Apesar de se configurar como uma estratégia de prevenção eficiente, a Pep vivencia ainda grandes dificuldades na sua concretização enquanto política de prevenção.”

Nesta terça-feira (16) a Agência de Notícias da Aids publicou, na íntegra, a nota divulgada pelo Ministério da Saúde sobre a implementação da Prep. Além disso, ativistas manifestaram sua opinião sobre o tema e criticaram a demora da chegada da profilaxia no SUS. Fonte Agencia de Notícias da Aids



Cuidados com sexo oral evitam contrair doenças, DSTs/HIV

O tema sexo oral vem sempre acompanhado de tabus, dúvidas, questões e polêmicas. Com camisinha ou sem? O esperma ou pênis transmitem doenças? E a vagina? Transmite AIDS?

Primeiramente vamos focar no quesito AIDS (ou vírus HIV). Durante muito tempo isso foi controverso, até que uma pesquisa confirmou que em determinadas situações o sexo oral pode sim transmitir o vírus HIV. Se a pessoa estiver com algum ferimento na boca (gengivite, afta, machucados ou lesões por mordidas ou escova de dente), por exemplo, pode facilitar a infecção. No entanto, esse risco é muito baixo quando comparado com as outras possíveis formas de contágio (sexo vaginal ou anal e compartilhamento de seringas).

Mas além da AIDS, o sexo oral também pode vir acompanhado de outras Doenças Sexualmente Transmissíveis(DST), como sífilis, gonorreia, herpes ou HPV. Por isso, na dúvida, o recomendado é o uso da camisinha para o sexo oral e que seja realizada uma boa higiene tanto da região bucal, como genital, antes e depois do ato.

Vale lembrar que o mesmo pode ocorrer para quem recebe o sexo oral. Caso hajam feridas bucais, elas também podem fazer o caminho inverso do acima e transmitir alguma DST para o pênis ou vagina que recebe o ato.

Engolir o esperma

Outra questão sempre levantada é sobre engolir o sêmen do parceiro. Se há algum risco grave ou perigo. Desde que o parceiro não tenha nenhuma DST, não há problema ou risco algum.

Sexo oral no ânus

O sexo oral anal requer muito cuidado, pois a região é rica em bactérias que podem gerar problemas como infecções e diarreias. Portanto, para um sexo oral anal seguro a região deve ser muito bem lavada e higienizada previamente. Jeferson Machado Santos. CRF-SE: 658.

Ao fazer sexo oral num homem, recomenda-se que o parceiro use preservativo para evitar o contato direto da boca com o pênis

Na prática do sexo oral numa mulher aconselha-se o uso de uma barreira que impeça o contato direto da boca com a vagina. A barreira pode ser uma camisinha cortada - formando um retângulo - ou filme de PVC, usado na cozinha

Evite fazer sexo oral se tiver algum machucado, lesão ou inflamação na boca (inclusive gengivite)

Evite fazer sexo oral se tiver algum sangramento na boca ou se acabou de escovar os dentes e houve sangramento

Quem faz sexo oral em um homem deve evitar ejaculação na boca

Na mulher, deve-se evitar sexo oral durante o período menstrual - Fonte - www.aids.org.br 



   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

30/03/2018 

Incidência de tuberculose em presos é 30 vezes maior do que na população geral

 

Em 20 de dezembro de 2016, Jonathan de Souza Conceição deixou o Instituto Penal Vicente Piragibe, em Bangu, Zona Oeste do Rio, tossindo sangue e mal sustentando de pé o corpo franzino de 40 kg. Ele havia passado sete anos preso, e, ao ganhar liberdade, foi levado a um hospital por sua mãe, Márcia Helena. Só lá foi diagnosticado com tuberculose. A mãe chegou a ouvir de um médico que o Estado havia matado o seu filho. Jonathan já estava sem um pulmão e apenas com metade do outro funcionando. Ele morreu aos 26 anos, menos de um mês após ser solto.

“Como acha que eu estou hoje, como mãe? Até hoje o Estado não me deu uma resposta. E muitos garotos sofrem lá dentro com condições deploráveis de saúde, mas em geral as mães têm medo (de denunciar)”, conta ela, que agora luta contra a depressão. “Meu filho entrou na prisão com mais de 80 kg e saiu com 40 kg, sem andar, fraco. Agora que já o levaram, não tenho medo de mais nada.”

Nos meses que antecederam a soltura de Jonathan, Márcia diz ter feito uma peregrinação à Vara de Execuções Penais (VEP) e à Defensoria Pública, tendo também procurado por diversas vezes o diretor e assistentes sociais do presídio. Ela percebia a fraqueza extrema do filho toda vez que o visitava. Depois de sua mobilização, Jonathan chegou a ser internado em uma unidade de saúde da penitenciária, mas, segundo Márcia Helena, ficou lá só por três dias, sem isolamento e apenas tomando soro.

“Como alguém vai ser curado de tuberculose assim? Não aceito tê-lo perdido”, desabafa ela. “Fora isso, a cela era muito lotada e tinha muito rato.”

‘Fábricas de tuberculose’

O caso de Jonathan ilustra por que alguns especialistas chamam os presídios brasileiros de “fábricas de tuberculose”. Segundo dados do Ministério da Saúde e pesquisas da Fiocruz, enquanto a média de registros dessa doença na população total do país é de 32 a cada 100 mil habitantes, a média na população carcerária é de 932 infectados por 100 mil. Isso significa que, dentro das prisões, há uma incidência praticamente 30 vezes maior da doença.

No Rio, a situação é ainda pior. A média de casos chega a quase 2 mil a cada 100 mil presos, o que torna o estado o primeiro em incidência de tuberculose na população privada de liberdade. De acordo com a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap-RJ), 1.800 internos estão atualmente em tratamento no sistema prisional do Rio.

“É uma política de extermínio, do ponto de vista dos direitos humanos. Os presídios brasileiros são fábricas de tuberculose. Faltam condições salubres para a vida ali. É como uma punição em dobro.”

No mês em que é lembrado o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, no último sábado, um levantamento feito pelo Globo com as secretarias de Administração Penitenciária do Rio, Espírito Santo, Minas Gerais e Pernambuco mostra que o número de casos só aumenta, ano a ano. No Rio, a doença atingiu 1,7% dos presos em 2015; 2%, em 2016; e 2,6%, no ano passado. Em terras capixabas, esse índice passou de 0,26% em 2016 para 0,32% em 2017. Em Minas, de 0,28% para 0,33% no mesmo período.

Em Pernambuco, os números da tuberculose nas unidades prisionais já representam 10% de todos os casos notificados no estado, com uma taxa incidência de 1.892 para cada 100 mil presos, enquanto na população geral esse índice foi de 49,2 por 100 mil habitantes em 2016.

Os entraves vão desde o diagnóstico lento até o tratamento, que é de difícil adesão por durar ao menos seis meses, com quatro comprimidos diários. A estrutura dos presídios não colabora: o ar circula pouco; a luz do Sol quase não entra; as celas abrigam mais presos do que deveriam; e a alimentação, em geral ruim, enfraquece a imunidade. O infectologista Rafael Sacramento trabalha no sistema prisional de Pernambuco há dois anos, e um dos aspectos que mais o alarmam é como a arquitetura e as condições de higiene de grande parte das penitenciárias são “perfeitas” para que a tuberculose se espalhe.

“O ideal seria que as janelas fossem altas. Assim, o ar quente sairia por ali e o ar frio entraria pelos corredores, que deveriam ter respiradouros. Da forma como é hoje, formam-se bolsões de ar quente, e esse ar não circula”, analisa. “A luz solar, que mata a bactéria causadora da doença, entra pouquíssimo. As celas são estufas para proliferação da doença.”

É consenso entre médicos que, de forma geral, o grande obstáculo para o controle da tuberculose não está na falta de remédios nos presídios, mas na ausência de uma triagem de qualidade assim que o preso chega, e de uma triagem periódica, para que os suspeitos de estarem infectados sejam logo separados. Segundo Sacramento, para um diagnóstico eficaz nessas circunstâncias é preciso ter um exame barato, fácil de ser aplicado, sensível e de simples conservação — o que ainda não está disponível.

“A tuberculose é naturalmente subdiagnosticada. Muitas pessoas chegam às prisões todos os dias e só se descobrem a doença quando está “escrita na testa”, com sintomas claros”, diz.

Além dos presos, os visitantes, funcionários do presídio e a comunidade do entorno estão expostos ao risco.

“É um problema invisível, porque atinge a camada pobre da população. E o alcance do problema só cresce. Em 1990, havia 90 mil pessoas presas no país. Hoje, temos 600 mil, muito por conta de uma política que continua voltada para o encarceramento e não para questões sociais. Nenhum médico pode vislumbrar, para os próximos cinco ou dez anos, uma melhora nesse cenário.”

Interrupções no tratamento

A alta mobilidade dos presos entre as unidades é outro fator que agrava a situação. No Rio, por exemplo, 42% dos detentos ainda não foram julgados. Até que isso aconteça, eles são frequentemente mudados de presídio, o que prejudica a continuidade do tratamento. Quando a ingestão dos remédios é interrompida, é alto o risco de o paciente desenvolver uma nova forma de tuberculose, desta vez resistente às principais drogas. E, se não há problemas na distribuição de remédios contra a doença para os presídios, o mesmo não pode ser dito em relação aos medicamentos próprios para tratar tuberculose multirresistente.

“Esse tipo de remédio, para quem já desenvolveu resistência, é muito caro. Nesses casos, faltam medicamentos”, diz a pneumologista e pesquisadora da ENSP/Fiocruz Margareth Dalcolmo. “Não temos uma alta taxa de casos de tuberculose multirresistente, mas esse número vem pouco a pouco crescendo.”

Não há comprovação de que tenha sido esse o caso de Jonathan de Souza Conceição, mas a Seap-RJ informou em nota que o rapaz manifestou sintomas da doença por duas vezes: em 2014, quando, segundo a secretaria, ele fez “tratamento completo” no sanatório penal do Complexo Penitenciário de Gericinó, e em 2016, quando “o tratamento foi reiniciado” e o rapaz teria tido “alta cura”.

A pesquisadora da Fiocruz ressalta que muitas das condições frequentes entre presos os tornam ainda mais vulneráveis, como HIV e diabetes. Estima-se que metade das mortes por tuberculose se dê em pessoas com o vírus causador da Aids. E diabéticos têm seis vezes mais risco de contrair a doença.

“É um esquema mórbido e perverso. Se um doente entra numa cela de 15 m² com 40 pessoas e fica ali um mês, ele contaminará ao menos outros cinco”, diz.

Helio Torres Filho, integrante da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e diretor médico do laboratório Richet, é enfático: a grande chave é diagnosticar cedo para começar a tratar logo:

“Há testes que dão o diagnóstico em no máximo três horas, já dizendo se é ou não uma bactéria resistente. E, em torno de 15 dias depois de iniciar o tratamento, não se transmite mais a doença.”

Fonte: O Globo

 



Direitos LGBT dão salto com regra de nome social

 05/03/2018 - 11h30

Desde janeiro deste ano, as regras brasileiras que envolvem identidade de gênero ganharam quatro novas atualizações favoráveis à comunidade LGBT. A maior parte trata do uso do nome social por transexuais. Para associações, as decisões geram diversos impactos que minimizam as situações de discriminação.

A alteração mais abrangente partiu do Supremo Tribunal Federal na última quinta-feira (28). Por unanimidade, os ministros autorizaram a alteração do prenome no registro civil de transexuais e transgêneros sem a necessidade de cirurgia de mudança de sexo ou autorização judicial. 

De acordo com Rafaelly Wiest, diretora administrativa da Aliança Nacional LGBT, a decisão do Supremo reconhece a cidadania dos transexuais e transgêneros. "Como ficou colocado pelos ministros, nós temos o direito à privacidade, à liberdade, à dignidade da pessoa humana e todos os outros direitos previstos na Constituição", afirmou. Rafaelly sustenta que a medida confere isonomia. "Nós, do movimento das pessoas trans, sempre defendemos ter o mesmo direito de qualquer outro cidadão e cidadã".

Ela destaca que a regra dá segurança jurídica, pois mantém os demais dados de identidade como filiação e CPF, o que evita a ação de pessoas de mal intencionadas.

Desde o início do ano, o uso do nome social foi liberado nos registros escolares da educação básica e na urna eletrônica. Transexuais poderão também se registrar como candidatos à eleição na cota de gênero que se identifica.

Regulamentação

Parlamentares junto a Associação Nacional de Travestis e Transexuais, e a Associação Brasileira LGBT pretendem encaminhar nesta semana ao Conselho Nacional de Justiça um pedido de regulamentação da troca do prenome de transexuais.

A autorização para que o uso do nome social seja simplificado só passará a valer após a publicação do acórdão e notificação dos tribunais do país.

O deputado Jean Willys (PSOL-RJ) vai acompanhar a solicitação. Ele comemorou a decisão do Supremo, mas lamentou que o Congresso não tenha a mesma capacidade. "Mais uma vez STF acaba legislando no lugar do Congresso Nacional em questões de mudanças na sociedade. Isso é lamentável. Enfraquece a democracia representativa. O Congresso devia fazer isso ao povo em nome da sua diversidade", disse ao Destak.

Outros avanços aguardam votação de parlamentares

O uso do nome social sem a exigência de laudo médico ou psicológico está previsto no texto do projeto 5002/2013, parado na Câmara dos Deputados desde 2016. A proposta, chamada de Lei de Identidade de Gênero, ainda estabelece uma política de saúde pública para transexuais.

No Senado, um projeto de iniciativa popular de criminalização da homofobia, chegou a ser arquivado após nove anos tramitando sem aprovação. A Casa analisará novo texto este ano.

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a última semana o agravamento da pena para crimes de injúria por questões de gênero ou orientação sexual. Ainda no Senado, projeto de 2011 incluiu o casamento homoafetivo no Código Civil. O texto aguarda votação do Plenário.

Mudanças nas regras são criticadas por ala evangélica
O deputado federal Sóstenes Calvacante (DEM-RJ), integrante da bancada evangélica, criticou as decisões tomadas pelos Tribunais Superiores sobre o uso do nome social por transexuais em documentos e nas urnas. Para ele, não representam a vontade da maior parte do país.

"O Judiciário só pode decidir assuntos que não estamos legislando. O movimento LGBT procura por eles porque sabem que na política eles perderam, e nunca vão aprovar nenhuma das suas pautas ideológicas" disse.

De acordo com Sóstenes, a bancada ainda não se reuniu para discutir as recentes decisões das cortes, mas que tem "convicção" de que todos reprovam. 

Em 2015, a bancada evangélica do Congresso questionou judicialmente a norma de autorizou o uso do nome social por servidores públicos transexuais.

Fonte : Destak Jornal - Agencia de Notícias da Aids



Qual é a importância da Visibilidade Trans? Será que somos loucas por querer o direito a comandar nossas próprias vidas?  Por Terra Johari*

 

Quando recebi o convite da Agência Aids para escrever um texto sobre o Dia Nacional da Visibilidade Trans, comemorado no dia 29 de janeiro, fiquei refletindo em que sentido eu poderia oferecer uma contribuição. Afinal, falo da perspectiva de uma travesti negra, mas que não vive com o HIV, de modo que não sinto em meu corpo os efeitos de passar pelo tratamento, combinados com os efeitos da terapia hormonal, apesar de ter em meu círculo de convivência pessoas que vivem com o HIV (todas cisgêneras). 

No entanto, se há algo em que as vivências trans e as vivências positivas se aproximam, é que há uma intensa normatização social destas formas de existência. Várias instituições atuam no sentido de produzir regulações sobre vidas trans e/ou positivas – a família, o Estado em suas mais diversas manifestações (o sistema de saúde, o sistema educacional, o poder judiciário, as polícias), as igrejas, as organizações internacionais, as empresas, a mídia, dentre outras. Os discursos institucionais que procuram determinar os modos pelos quais corpos trans e/ou positivos podem existir produzem efeitos de estigma, que empurra estas populações para as margens da nossa sociedade.

Dessa forma, muitas vezes, pelo simples fato de ser travesti negra, é comum que se presuma que sou trabalhadora do sexo, e que por isso sou positiva. Na verdade, talvez seja mais acertado dizer que se presume que eu sou um vetor de doenças. Essa associação simultânea, que acontece com frequência, não é fruto de mero acaso. Ela decorre de um processo histórico, em que certas populações, em função de ocuparem posições extremamente precarizadas na estrutura social, acabam sofrendo mais severamente os efeitos de uma epidemia. Foi assim que, com a propagação da aids, uma população que já se via empurrada para a prostituição como único caminho de vida possível (em se tratando de mulheres trans e travestis), em função da exclusão do mercado de trabalho, passou a ser associada de forma tão íntima à propagação da aids.

Um exemplo: no dia 17 de janeiro de 2018, foi publicada na Folha de São Paulo uma matéria acerca de uma operação da Polícia Civil ocorrida no final dos anos 80, quando a recente epidemia da aids gerava ainda mais pânico e terror na sociedade. Esta operação, chamada Tarântula, foi noticiada em manchete da mesma Folha da seguinte forma: “Polícia Civil ‘combate’ a aids prendendo travestis”. Ou seja, há cerca de trinta anos, políticas públicas eram operadas no sentido de exterminar uma determinada população, fornecendo a determinados segmentos sociais privilegiados uma falsa sensação de segurança, enquanto assistiam à violência perpetrada contra esses corpos considerados abjetos de seus carros e sacadas, lavando as mãos.

Vejamos, portanto, que se trata de um processo histórico. A transexualidade é patologizada, considerada uma doença mental tanto na CID, classificação internacional de doenças publicada pela Organização Mundial da Saúde, quanto no DSM, um manual produzido pela Associação Americana de Psiquiatria, para profissionais da saúde mental que classifica doenças e perturbações mentais.  A decisão de incluí-la nesses catálogos é tomada por médicos que detém o poder de determinar o que é normal e o que foge da norma. E é a partir do exercício desses poderes ilustrados acima que se produzem estereótipos.

Os estereótipos são modos de conhecer a realidade, verdadeiras estratégias que operam através da fixação de imagens estanques relacionadas a certos atributos ou características de algum grupo. O estereótipo é contraditório: apesar de pregar que um determinado grupo social “foi sempre assim” ou ocupa sempre o mesmo lugar, naturalizando sua inferiorização, ele necessita de uma repetição ansiosa e compulsiva para garantir essa fixação. Ao mesmo tempo, associa a existência desses grupos à desordem e ao caos, como se precisassem ser controlados e tutelados por outros grupos, considerados mais civilizados. Assim, configuram modos de gerenciar a vida e a morte, determinando quais populações poderão ocupar quais espaços, quais corpos valem mais que outros.

Foi por meio da proliferação de estereótipos relacionados, por exemplo, às populações negras e ameríndias, que violentos empreendimentos coloniais foram legitimados. Assim, muitos povos ameríndios foram considerados preguiçosos e infantis, porque não se submetiam ao regime de trabalho e às crenças impostas pelos colonizadores, enquanto povos de origem africana foram considerados animalizados e privados de racionalidade. Esses discursos se difundiram desde tratados científicos até propagandas de sabonete, configurando regimes de verdade, por meio da operação de estereótipos. Deste modo, essas crenças perversas se infiltram na cultura e se fazem presumir verdadeiras. 

É no seio de instituições sociais como as mencionadas acima que se produzem estereótipos, ainda hoje. Ao se retratar travestis como caricatas, loucas, agressivas e sexualmente desenfreadas, o que se pretende, mesmo inconscientemente, é perpetuar o lugar de marginalização social desse grupo, que retroalimenta sua exclusão da família, da escola, do mercado de trabalho, e por aí adiante. Da mesma forma, o pânico moral instigado em relação ao HIV e à aids contribui para a recriminação das várias formas de vivenciar a sexualidade, perpetuando a exclusão de pessoas que vivem com o HIV, consideradas verdadeiros agentes infecciosos mal intencionados, a ponto de surgirem projetos de lei que investem na criminalização da transmissão do vírus. 

Enquanto isso, não é feita uma discussão efetiva sobre garantia de qualidade de vida e acesso à informação, a meios de prevenção e ao tratamento. Dessa forma, quando reivindicamos a Visibilidade Trans, é para que possamos tecer narrativas sobre nossas vivências que partam de nossa perspectiva, rasurando esses estereótipos perversos que perpetuam crenças e preconceitos ao nosso respeito. É para que sejam discutidas condições de acesso à saúde, uma vez que a boa parte das pessoas trans evita frequentar serviços públicos para não sofrerem diversos tipos de violência e tentativas de controle. É para que iniciativas como Rede de Pessoas Trans Vivendo com HIV/Aids, por exemplo, ganhem visibilidade dentro e fora do movimento, repercutindo as reais necessidades dessa população e desvinculando-a das políticas públicas voltadas para HSH. É para reivindicarmos pesquisas e melhores tecnologias de tratamento da aids que levem em consideração a terapia hormonal.

Enfim, lutar pela Visibilidade Trans é caminhar rumo a uma sociedade em que o Bem Viver, ou seja, condições de vida decentes e confortáveis, sejam asseguradas a todos e não apenas a grupos privilegiados e exploradores, como vêm defendendo em suas práticas e teorias movimentos feministas negros, ameríndios e comunitários. É lutar para que nossas necessidades físicas, emocionais, intelectuais, possam ser priorizadas, e não o lucro. Assim, visamos retomar a autonomia sobre nossos corpos, controle sobre nossas vidas, em detrimento de médicos, indústrias farmacêuticas, burocracias estatais, grupos midiáticos e concepções religiosas autoritárias. Afinal, se somos submetidas a tantas formas de controle e violência, quem pode nos culpar por queremos subverter tudo? E se isso é ser louca, nós somos mesmo!!!

* Terra Johari escreve pelo Coletivo Loka de Efavirenz. É advogada, mestranda em Antropologia Social pela USP e modelo. Atua como analista de políticas públicas e gestão governamental na Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo.

Fonte – Agencia de Notícias da Aids - Crédito da foto: Camila Falcão

 

 


 


Pessoas vivendo com HIV/aids têm restrição para tomar vacina da febre amarela17/01/201

Em meio à campanha de vacinação contra febre amarela, promovida pela Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo desde setembro do ano passado, pessoas que vivem com HIV/aids precisam ficar atentas na hora de receber a dose, uma vez que possuem restrições médicas.

A dra. Zarifa Khoury, infectologista do Programa Municipal de DST/Aids, explica que o HIV atinge a imunidade do paciente, comprometendo as células de defesa do organismo, chamadas de grupamento de diferenciação 4, mais conhecidas por CD4. Pessoas que vivem com HIV e possuem menos de 200 células CD4 por milímetro cúbico no sangue não devem ser vacinadas contra a febre amarela. “Esse índice mostra que o paciente está com uma imunodepressão severa, portanto, sujeito a ter fortes reações com a vacina”, diz

A doutora deixa claro que as doses possuem vírus vivos atenuados, que são de fácil controle pelo corpo, desde que a imunidade esteja boa. Como as pessoas com CD4 menor de 200 estão mais vulneráveis, é melhor evitar a vacina.

“Essa situação pode mudar, caso a pessoa viaje para uma área de risco ou a própria capital paulista se torne área de recomendação para vacinação. É então que médico desse paciente irá analisar os riscos-benefícios da aplicação”, argumenta Khoury. “É preferível que a pessoa tenha um quadro leve de febre amarela do que falecer por conta da doença”, completa.

Pessoas vivendo com HIV acima de 200 CD4 e que fazem uso de corticoides em doses altas por mais de 15 dias, ou que utilizam ciclosporina ou ainda ciclofosfamida também não devem ser vacinadas. A recomendação sempre é que, em caso de dúvida, o médico deve ser procurado.

Quem deve ser vacinado?

Apesar dessas orientações, a Secretaria Municipal da Saúde informa que não há transmissão de febre amarela no município de São Paulo e, portanto, a campanha é de prevenção à doença. Dessa forma, devem ser vacinados apenas os moradores da região norte (confira os endereços dos postos de vacinação aqui), do distrito de Raposo Tavares, na zona oeste (postos de vacinação) e dos distritos de Jardim Ângela, Parelheiros, Capão Redondo (área de abrangência da UBS Luar do Sertão) e Marsilac (locais de aplicação na zona sul). Saiba mais no site da Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa). Dica de entrevista Programa Municipal DST/Aids Thiago Pássaro Tel.: (11) 3397- 2341 



Aposentada vende farofinhas gourmet para ajudar no tratamento de 1,5 mil pessoas com HIV no DF

28/12/2017 

São 18 sabores, incluindo de torresminho, doritos e chocolate. Preço dos potinhos varia de R$ 10 a R$ 25. Vicky oferece biscoitos e suco a pacientes de hospitais públicos.

Farinha, manteiga e cebola se transformam para além de farofa quando se encontram nas panelas da "vovó" Vicky Tavares. É por meio da venda do quitute, oferecido em 18 sabores, que ela consegue custear lanches de 1,5 mil pessoas que precisam medir carga viral de HIV mensalmente em cinco hospitais públicos de Brasília. Por mês, a produção atinge cerca de 150 kg. Há até um delivery do alimento.

"Mas o principal ingrediente é realmente o amor", afirma a aposentada. "Esse nunca falta. Eu não tenho HIV no meu sangue, mas tenho no meu coração."

A ideia de vender as farofas surgiu quando Vicky procurava uma forma de garantir renda extra para a ONG Vida Positiva. A instituição foi fundada há 11 anos, depois de a idosa se inquietar com a falta de tratamento humanitário a pessoas que sofriam com complicações do HIV-Aids. Foi um filho quem apontou o "caminho": "ninguém faz uma farofa igual a sua".

Desde então, Vicky conseguiu apostar em vários sabores, além do "tradicional". Há também farofas de castanha do pará, castanha de caju, nozes, banana, pimenta, chocolate, passas, ameixa, damasco, chocolate, Doritos, churrasco, batata palha, torresminho e MIX (com misturas de granola com vários tipos de castanhas, damasco ou ameixa).

Um pote de 140 g custa R$ 10; um de 250 g, R$ 15; um de R$ 500, R$ 25. De acordo com Vicky, o lucro de um pote maior é suficiente para a compra de um lanche.

Além disso, o dinheiro também é revertido na manutenção da ONG – além de voluntários, há 11 funcionários contratados, mais custos de água, energia elétrica e aluguel.

"Eu dependo desse dinheiro para pagar o aluguel. Todo dia temos uma batalha pela frente", explica Vicky.

Vida Positiva

O instituto funciona em uma casa na 711 Sul e atende crianças e jovens com idades entre 7 e 22 anos. O grupo tem alimentação completa, banho, remédios, transporte para escola e acompanhamento em atividades esportivas. Dos atendidos, 16 têm assistência integral. Cinco moram no local.

Além disso, 216 famílias recebem ajuda, com cestas básicas. Também faz parte dos trabalhos da Vida Positiva a distribuição do lanche positivo: gratuito, ele é composto por dois biscoitos e um suco.

Os kits são montados por voluntários, geralmente aos sábados, e entregues em hospitais no início da semana.

Fonte : G1


FIQUE SABENDO !!!


 

 

24 de março é o Dia de Mundial da Tuberculose, data que marca a mobilização mundial entorno de uma doença que continua atingindo milhões de pessoas em todo o mundo. Somente no Brasil são mais de cinco mil mortes por ano. Visando alertar sobre a necessidade de prevenção, testagem e adesão ao tratamento o Comitê Estadual de Controle Social da Tuberculose de São Paulo, coletivo que reúne representações da sociedade civil e gestores do estado, está organizando uma ação em parceria com a Fiesp. Durante o dia 23 de março, das 11h às 14h haverá distribuição de material, troca de informações e atividades lúdicas na calçada da Fiesp na Avenida Paulista, 1313. 

” A ação visa chamar a atenção da população para uma doença que tem cura e que pode ser vencida, desde que se conclua o tratamento, de seis meses”, alerta o coordenador do Comitê José Carlos Veloso que também chama a atenção para a carga de preconceito que ainda encobre esta realidade.

Segundo a coordenadora estadual de Tuberculose da Secretaria Estadual da Saúde, Vera Galesi, as populações mais atingidas ainda são os detentos, indígenas, pessoas que vivem com HIV e pessoas em situação de rua, “mas isto não impede que qualquer outro grupo possa contrair o bacilo, por isto a importância de arejar os ambientes e da detecção precoce”, alerta.

Participam da atividade, além dos ativistas e profissionais de saúde, alunos de graduação da Universidade Nove de Julho (Uninove). A ação é uma iniciativa do +Saúde- Programa de Prevenção e Educação do Comitê da Cadeia Produtiva de Saúde e Biotecnologia da Fiesp, que atuam na divulgação de ações de prevenção e testagem para a população, a cada mês.

Serviço: 

Ação do Dia de Luta contra a Tuberculose 

23 de Março
Das 11h as 14h
Calçada da Fiesp ( Avenida Paulista, 1313)

  


 

 

 UNAIDS celebra resultados dos ensaios preliminares que poderiam oferecer às mulheres uma nova opção de

prevenção ao HIV – 08/03/2018

O UNAIDS celebra os resultados preliminares de dois estudos que mostram que um anel vaginal que libera medicamentos antirretrovirais de longa duração tem até 54% de eficácia na prevenção de infecções por HIV entre as mulheres. O anel, que deve ser substituído mensalmente, libera lentamente o medicamento antirretroviral dapivirine e pode dar às mulheres uma opção adicional de prevenção ao HIV que é discreta e pode ser controlada.

“Estes resultados são significativos”, disse Michel Sidibé, Diretor Executivo do UNAIDS. “Fatores estruturais, comportamentais e biológicos tornam as mulheres mais vulneráveis à infecção pelo HIV, por isso é extremamente importante que elas tenham a oportunidade de se protegerem do HIV, da maneira que preferirem”.

Esses resultados preliminares são de dois grandes estudos abertos—nestes os participantes sabem qual medicamento está sendo usado; isto é, não são utilizados placebos—realizados na África do Sul e em Uganda. As pesquisas envolveram mulheres entre 20 e 50 anos.

A pesquisa HOPE, que começou em agosto de 2016 e engajou mais de 1400 mulheres até outubro de 2017—o momento da revisão preliminar—encontrou uma redução de 54% no risco de contrair HIV. Isto significa que a taxa de novas infecções por HIV foi de 1,9 mulheres recém-infectadas a cada 100 participantes em um determinado ano; com base na modelagem estatística, os pesquisadores determinaram que a taxa de novas infecções teria sido de 4,1 a cada 100 se as mulheres não tivessem recebido o anel. A pesquisa DREAM, que envolveu 940 mulheres a partir de julho de 2016, teve conclusões semelhantes, com uma redução de 54% na taxa de incidência do HIV. Os resultados finais de ambos os estudos são esperados para 2019.

A adesão mostrou-se alta em ambos os ensaios, ainda que os índices não fossem capazes de determinar se as mulheres usaram o anel todo o tempo, a maior parte do tempo ou apenas algumas vezes. O estudo DREAM mostrou que mais de 90% das mulheres  usaram o anel pelo menos uma parte do tempo durante o estudo, com base nos níveis residuais do medicamento. O estudo HOPE mostrou que 89% dos anéis retornados indicavam que o anel era usado pelo menos algumas vezes no mês anterior.

Esta é a primeira vez que uma eficácia maior que 50% foi observada em ensaios de prevenção ao HIV envolvendo apenas mulheres. Dois ensaios anteriores de fase III apresentados em 2016—ASPIRE/MTN-020 e o Ring Study/IPM 027—que incluíram um grupo de placebo, apresentaram apenas uma modesta proteção (30%) contra a infecção pelo HIV para mulheres. As mulheres do ASPIRE e do estudo do anel foram incluídas nos estudos HOPE e DREAMS.

Outros avanços científicos na prevenção ao HIV apresentados nos últimos anos incluem os estudos PROUD e IPERGAY, que em 2015 relataram uma redução de 86% na infecção por HIV entre homens HIV negativos que tomaram medicamentos antirretrovirais para prevenir o HIV; o estudo 2011 HPTN 052, que mostrou que o início precoce da terapia antirretroviral pode reduzir o risco de transmissão para um parceiro não infectado em 96%; e os estudos 2011 Parecs PrEP e TDF2, que mostraram que uma pílula antirretroviral diária tomada por pessoas que não vivem com HIV pode reduzir seu risco de adquirir o vírus em até 73%. A pesquisa sulafricana Orange Farm Intervention, financiada pela Agência Nacional de Pesquisas sobre a AIDS (ANRS) e publicada em 2005, demonstrou uma redução de mais de 60% nas infecções por HIV entre homens circuncidados.

“Esses avanços importantes mostram quão crítico é continuar investindo em pesquisa e desenvolvimento, em novas e efetivas opções de prevenção do HIV”, disse Sidibé. Os últimos relatórios mostram que, em 2016, o financiamento da pesquisa e do desenvolvimento da prevenção do HIV foi o seu nível mais baixo em uma década, sem indícios de aumento dos investimentos.

O UNAIDS enfatiza que, apesar das descobertas científicas recentes, ainda não existe um método único que proteja totalmente contra o HIV. Para acabar com a epidemia de AIDS, o UNAIDS recomenda fortemente uma combinação de opções de prevenção ao HIV. Esta pode incluir o uso correto e consistente de preservativos masculinos e femininos, esperar mais tempo antes de fazer sexo pela primeira vez, ter menos parceiros, a circuncisão masculina médica voluntária, evitar relações sexuais com penetração, usar a profilaxia pré-exposição no caso de pessoas com maior risco de infecção pelo HIV e garantir que todas as pessoas vivendo com HIV tenham acesso imediato a medicamentos antirretrovirais. Fonte: https://unaids.org.br/2018/03/unaids-celebra-resultados-dos-ensaios-preliminares-que-poderiam-oferecer-as-mulheres-uma-nova-opcao-de-prevencao-ao-hiv/

 


 

PrEP em São Paulo: municípios falam sobre como foram os primeiros meses de oferta do medicamento que previne a aids  01/03/2018 

Aconteceu, na manhã desta quinta-feira (1), uma reunião com representantes dos serviços de saúde que oferecem PrEP no estado de São Paulo com o objetivo de trocar experiências e tirar dúvidas a respeito da Profilaxia Pré-Exposição. Dentre os principais pontos abordados no encontro, está o fato de que as pessoas que buscaram a PrEP, até agora, são de alto grau de escolaridade e de pouca vulnerabilidade. Além disso, os profissionais relataram que os serviços estão recebendo pessoas de outras cidades que ainda não oferecem a nova forma de prevenção.

No estado de São Paulo, são 469 o número de usuários cadastrados e já foram solicitadas mais 620 PrEPs, segundo o relatórios do Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (Siclom). Artur Kalichman, coordenador do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, garantiu que não há restrição para continuidade da profilaxia. Ou seja, quem já iniciou não terá problemas nos próximos meses caso queira continuar tomando a truvada. Por isso, após alguns profissionais relatarem inseguranças na hora de indicar ou não o medicamento para as pessoas que se sentem vulneráveis e procuraram por essa alternativa, chegou-se ao consenso de que, na dúvida, é melhor oferecer a PrEP.

A coordenadora de Vigilância de Infecções Sexualmente Transmissíveis e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Tatiana Alencar, esteve presente através de transmissão online e reforçou que ainda não há autorização da Anvisa para prescrever a truvada para menores de 18 anos, “por isso, desejamos que uma das portas de entrada para falar sobre outros meios de prevenção seja projetos que trabalhem com esse público”.

Representando os serviços de São José do Rio Preto, Diene Trajano e Maria Amélia disseram aproveitar o primeiro mês da implementação para divulgar a PrEP na grande mídia. “Esperávamos que fosse uma procura muito maior, mas as pessoas disseram que queriam pensar se realmente estão dispostas a tomar. Os oito pacientes, que hoje estão cadastrados no município, foram identificados pelo próprio serviço por já fazerem uso de PrEP”, explicam. Elas também revelaram que as pessoas chegam procurando pela “pílula antiaids”, o que passa a ideia de ser apenas um comprimido a ser tomado uma única vez.

Por outro lado, Ricardo Vasconcelos, infectologista do Ambulatório da Universidade de São Paulo afirma que a profilaxia chegou por lá como uma avalanche, com muita demanda através de ligações para marcar atendimento. “Tivemos que mudar a forma da inscrição para presencial porque a telefonista não conseguia atender a todos os chamados. Estamos com agendamento para até final de abril”. Ricardo disse, também, que quase todos aqueles que entram em contato são da região de Pinheiros. “Não acho que seja através das grandes redes de TV que vamos encontrar as pessoas que mais precisam da PrEP. Então o boca a boca em ações extramuros deve ser mais eficiente.”

Karina Wolffenbuttel, pesquisadora do CRT, defendeu que os serviços precisam se integrar porque alguns lugares estão procurando por mais pessoas para atender, “e o fato de fazer os pacientes irem pessoalmente enquanto poderiam fazer agendamento por telefone é preocupante, porque eles podem desistir nesse processo”.

O enfermeiro Alexandre Lelis do Serviço de Atendimento Especializado de São Bernardo do Campo falou sobre a experiência no local que se destacou pela forma com que a equipe conseguiu se resolver para otimizar os atendimentos realizados. “O médico está lá para prescrever  e o restante, a prevenção combinada, gerenciamento de risco e os testes ficam a cargo de enfermeiros e farmacêuticos, uma equipe multiprofissional.”

Os representantes de Campinas disseram que a mídia pressionou muito para obter informação. “Então tivemos duas estratégias: criamos um e-mail onde recebemos vários pedidos de informação, o que deu muito certo. E fizemos uma ficha inicial para acelerar o processo, com informações gerais para direcionar melhor as pessoas. Hoje, estamos com 16 pessoas cadastradas.”

A coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, Maria Cristina Abbate, aproveitou a oportunidade para solicitar ao Ministério da Saúde a pulverização da oferta de PrEP em áreas mais distantes do centro. “Me preocupa mais aumentar a quantidade de serviços do que a quantidade de pessoas por serviço , porque nossa prioridade é aumentar o acesso”, afirma.

Assim, o Departamento de Aids afirmou ser necessário um plano claro de expansão e pensar em formas de fazer com que os serviços dispensem mais, assim como existe a possibilidade de ampliar para outras localidades. “Uma programação conjunta para que se possa sustentar os insumos e não faltar PrEP para aqueles que já aderiram.”

 


BOA NOTÍCIA: PrEP começa a ser distribuída em São Paulo. 560 pessoas terão acesso nos primeiros três meses -18/01/2018

 

Na manhã desta quinta-feira (18), São Paulo deu o ponta pé inicial para a distribuição da PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV) nos serviços de saúde pública na cidade. A partir de agora, alguns CTAs (Centro de Testagem e Aconselhamento em DST/Aids) e SAEs (Serviços de Assistência Especializada em DST/Aids) vão ofertar gratuitamente o medicamento que, se tomado corretamente, pode prevenir a infecção pelo HIV. O Brasil é o primeiro país da América Latina a contar com essa alternativa de prevenção no sistema público de saúde.

Indicada para pessoas que não vivem com HIV, mas que têm um risco acrescido de contrair a doença, como profissionais do sexo, mulheres transexuais, travestis, casais sorodiscordantes (quando um tem HIV e o outro não), homens gays e outros homens que fazem sexo com homens, o governo paulistano vai ofertar neste primeiro momento 560 profilaxias.

De acordo com a psicóloga Maria Cristina Abbate, coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, a PrEP já está disponível no CTA Santo Amaro, na zona sul, nos serviços de Assistência Especializada Butantã, na zona oeste, no SAE Fidélis Ribeiro, na zona leste, e no de SAE Ceci, na zona sul. Em fevereiro, o medicamento vai chegar ao CTA Pirituba, na região norte.

"Eu sou entusiasta da PrEP, estamos inaugurando a possibilidade de prevenir a infecção pelo HIV e romper, em um curto espaço de tempo, a cadeia de transmissão", comemorou a gestora. Cristina destacou ainda que os CTAs na cidade estão passando por uma repaginação para ofertar a PrEP. "Temos que oferecer a prevenção combinada da melhor forma, então, é justo que os CTAs façam parte desta estratégia, são serviços de saúde que nasceram com a missão de trabalhar prevenção. Eles são os agitadores da comunidade."

Cristina, juntamente com as representantes dos governos Federal e Estadual, Adele Benzaken, diretora do Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais, e Maria Clara Gianna, coordenadora-adjunta do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo,  a sociedade civil e profissionais de saúde participaram, nesta manhã, da solenidade de inauguração da PrEP, na nova sede do CTA Santo Amaro, na zona sul.

Maria Clara Gianna afirmou que o estado de São Paulo recebeu 1.500 profilaxias do governo federal. "Além da cidade de São Paulo, outros municípios estão oferecendo a profilaxia, como São Bernardo do Campo e Campinas. Também temos PrEP na Casa da Aids, no Ambulatório de HIV/aids da Unifesp e no Centro de Referência e Treinamento (CRT) em DST/Aids."

Ao todo, 21 munícipios de 10 estados e o Distrito Federal vão disponibilizar a PrEP. São cidades como Manaus, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte, Recife, Curitiba, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Segundo Adele Benzaken, até o final deste semestre pelo menos um serviço de saúde de cada capital vai oferecer a profilaxia. "Vamos ajustar a distribuição conforme a demanda local, mas é preciso esclarecer que conseguimos disponibilizar a PrEP no SUS em tempo recorde. Foram sete meses entre o anúncio da incorporação, a compra dos medicamentos - vale ressaltar que a empresa teve o trabalho de mudar a bula e o rótulo do remédio - a organização dos serviços e o consumidor final."

Adele destacou ainda que já existe a sustentabilidade desta política. "Na semana passada, o congresso aprovou o aumento do orçamento do Departamento de Aids", disse.  De acordo com a gestora, o governo federal comprou 9 mil profilaxias. “Esperamos adquirir uma quantitativo maior nas próximas compras e esperamos que outras empresas concorram, assim, teremos um preço menor."

Questionada sobre a resistência dos profissionais de saúde em ofertar a PrEP, Adele garantiu que será muito prazeroso oferecer medicamentos para prevenção.

Voluntários do estudo PrEP Brasil

O supervisor Paulo Rodrigo Silva Gonçalves e o jovem André Fusari são usuários de PrEP há três anos. Paulo decidiu participar do estudo porque estava em uma relação sorodiscordante, já André confessou que tinha dificuldade de usar o preservativo. "A PrEP é importante para os momentos de vulnerabilidade, não senti efeitos colaterais. Mas quero destacar que só acessei a PrEP porque eu já tinha acesso a informações de usuários de outros países", disse Paulo.

A realidade de André foi um pouco diferente. Ele sofreu muitos efeitos colaterais nos primeiros meses de PrEP. "Tive tontura, cólica estomacal, calafrio, mas resisti e não fiquei um dia sem tomar o remédio. Hoje, não sinto nada e continuo protegido do HIV", explicou.

Os dois afirmaram que essa não é a 'pílula da salvação'. "Não contrai HIV, mas já tive sífilis três vezes, então é importante sim aderir às outras estratégias de prevenção", garantiu André.

Sobre um possível abandono da camisinha, Adele ressaltou que o uso contínuo da PrEP não leva a uma tendência de diminuição do uso do preservativo e à incidência de outras doenças sexualmente transmissíveis. “O que alguns estudos controlados têm demonstrado é que a PrEP aumenta a adesão ao preservativo. Também é uma forma de aumentar a cobertura do diagnóstico do HIV, porque as pessoas são testadas.”

Movimento social

Representando o Mopaids (Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids), o ativista José Araújo Lima afirmou que, desde dezembro, consta no site do Ministério da Saúde que a PrEP está disponível em São Paulo. "Os medicamentos podem ter chegado no mês de dezembro, mas só consideramos a PrEP disponível no SUS a partir desta quinta-feira (18), quando os usuários terão acesso."

O militante lembrou que o atraso da PrEP no SUS provocou desconforto entre os voluntários da pesquisa, pois eles quase ficaram sem a medicação. "Acabou o estudo e o medicamento não chegou a tempo, isso causou transtorno entre os usuários."

Por fim, Araújo perguntou as gestoras se o atendimento dos novos usuários de PrEP seguirão o mesmo padrão das pessoas que já participaram dos protocolos de pesquisa.

Adele rebateu dizendo que nenhum participante do PrEP Brasil ficou sem medicamento. "Remanejamos os remédios de outro estudo e conseguimos resolver o problema a tempo."

Sobre a qualidade do atendimento, Cristina Abbate disse que na cidade todos os usuários de PrEP terão à disposição uma equipe multidisciplinar.

Rodrigo Pinheiro, do Foaesp (Fórum de ONG/Aids de São Paulo), lamentou o fim da política de incentivo para as ações da sociedade civil e disse que será mais difícil garantir que a PrEP não seja elitizada. "O trabalho que as ONGs realizam na base faz a diferença na luta contra a aids. Sempre apoiamos a incorporação da PrEP no SUS, mas não vimos nenhum gestor se manifestar sobre o fim do financiamento das ações."

As três representantes do governo concordaram que a PrEP deve chegar as pessoas que vivem nas periferias do Brasil e populações marginalizadas. "Temos uma rede que olha para a periferia, então, a PrEP também precisa chegar lá", argumentou Maria Clara.

Da Agência Aids, a jornalista Roseli Tardelli, perguntou qual é a estratégia de comunicação que as três instâncias de governo vai usar para informar a população sobre a nova forma de prevenção. "Recentemente, estive em Nova York e vi informações sobre PrEP na rua, inclusive em pontos de ônibus e entrada do metrô."

Seguindo na linha da comunicação, Araújo elogiou o Programa Estadual por emitir, no mês passado, uma nota reconhecendo que pessoas vivendo com HIV, com carga viral indetectável, não transmite HIV. Ele acredita que a gestão municipal e federal deveria seguir a mesma linha. "Todos temos que aderir a campanha Indetectável é igual a Intransmissível, essa informação faz diferença na vida de quem vive com aids."

Maria Clara admitiu que a comunicação é falha e que nem sempre a imprensa dá o espaço necessário. Já a infectologista Adele Benzaken afirmou que o Departamento tem dito em vários espaços que indetectável é igual a intransmissível. Cristina Abbate, no entanto, falou que o material publicitário será lançado em breve e que toda contribuição é bem-vinda. "Queremos ouvir um pouco mais sobre a sua experiência em Nova York, quem sabe não conseguiremos replicar aqui", disse em resposta à Roseli.

Hoje, a tecnologia é comercializada na rede privada dos Estados Unidos, da Bélgica, da Escócia, do Peru e do Canadá e está disponível na rede pública de saúde da França e da África do Sul. A PrEP é recomendada pela Organização Mundial da Saúde desde 2012. Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)

 


 



História do ativismo contra aids no Brasil também renderia um filme, concluem ativistas em debate no CineSesc - 11/01/2018 - 16h34

“Nossa história também daria um filme.” Durante debate que aconteceu nessa quarta-feira (10) após a exibição do filme 120 Batimentos por Minutos, no CineSesc São Paulo, o ativista José Araújo mostrou-se surpreso com o fato de que, mesmo sem saber, o movimento social contra aids no Brasil tinha iniciativas muito similares às que eram realizadas pelo grupo francês Act Up, retratado no longa, durante os anos 90 e ressaltou que  “a conquista do tratamento contra aids no Brasil passou pelo ativismo”.

Também contribuiu com o debate o ativista Beto Volpe. Os dois contaram experiências que viveram dentro do movimento social na luta contra aids. Além dos pontos em comum com a história do grupo francês, Araújo lembra quando os brasileiros montaram um kit manifestação. “Também usávamos bexiga com sague falso. Tínhamos suporte de soro, maca. Tudo isso na época do fax. Vendo o filme, percebo que usávamos estratégias muito parecidas, sem nem saber o que eles estavam fazendo lá. O longa também retrata nossa história.”

Araújo recordou quando, em 1995, faltavam medicamentos na rede pública de saúde e, em analogia ao escândalo político conhecido como Frangogate, os ativistas soltaram galinhas na Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. “Vieram 70 galinhas, levamos caixas de presente e dentro de cada caixa tinha uma galinha. Elas se espalharam pelo prédio, pelo elevador...”, conta arrancando risos da plateia. “Deitávamos na paulista, protestamos em frente ao Masp, carregávamos caixões. Hoje a imprensa acabaria com nós porque atrapalharia o trânsito.”

Beto Volpe defende que a preocupação agora é estar diante do risco de perder as conquistas já realizadas. “O movimento fragmentou e começou a se dividir”, disse enquanto confessava já ter pensando em desistir do tratamento. “Eu queria acelerar o processo. Via todas as pessoas morrendo a minha volta. Tive AVC, câncer duas vezes, passei por 23 cirurgias. Ou você ficava em casa chorando ou ia para a rua brigar”.

Durante a conversa ficou claro que a lutar contra aids trata-se de uma batalha pela vida. Os ativistas enfatizaram, “éramos unidos para poder viver; o vírus nos ‘hermanava’”. No entanto, Beto também se mostrou preocupado com a maneira com que o ativismo está sendo feito no Brasil. “Acredito que vivemos uma evolução seguida de uma involução. Desde que entrei no movimento pude ver a gama de aprendizado, conhecimento, mobilização. E, com o tempo, parece que começou a andar para trás. Hoje se lembra de aids no dia 1 de dezembro, quando muito. O Brasil está cometendo o mesmo equívoco com a tuberculose: encontrou a cura e se esqueceu da doença.”

A plateia também participou do debate. Um dos participantes questionou o fato de muitas pessoas assumirem a ideia de que hoje o jovem se infecta mais porque banalizou a aids. Em defesa, Araújo colocou que quem afirma que o jovem banalizou o vírus não tem a real dimensão do contexto social da doença. “É preciso saber sobre que jovem você está falando. Não se pode simplificar com a banalização e nem tratá-lo como imbecil. Para o setor conservador do governo, é mais fácil falar que ele banalizou, do que falar sobre prevenção.”

 

Divergência de Gerações

Ao comparar o ativismo feito nos anos 90 e as atividades que são realizadas hoje, Araújo criticou aqueles que, segundo ele, estão em busca do estrelato. “Ficar na internet teclando com frases chavões não vai adiantar”, e completou “o ativismo na internet é tão mal usado que sinto saudade do fax”.

Beto justificou seu posicionamento ao defender que “quando tiver que pleitear algo, não é pela internet, é se unindo, indo presencialmente, protestando. Essa involução é porque as pessoas passaram a ver no ativismo uma carreira profissional e fica difícil você ‘bater’ na pessoa que pode ser seu patrão amanhã. Vemos na internet muitos grupos sem base, que não sabem o que estão falando”.  

A jornalista Roseli Tardelli defendeu que a internet é, na verdade, uma aliada e que veículos como a Agência de Notícias da Aids não teriam sobrevivido fora da rede. "A internet é um instrumento poderoso na luta contra aids e veio para ficar. O que precisamos fazer agora é buscar entender melhor como ela funciona e usá-la a nosso favor", disse.

O ativista e youtuber Gabriel Estrela mostrou-se contrário à opinião dos debatedores. Disse que busca aprender com aqueles que já passaram por experiências anteriormente e também acredita que é importante usar a internet a favor do movimento. “Essa seria uma oportunidade de diálogo com os jovens, que são maioria do público aqui hoje. A partir do momento que se toma algo como verdade, excluímos todas as outras possibilidades.”

Após alguns jovens se ausentarem da sala, os ativistas esclareceram que não têm “nada contra a internet, e querem dialogar com aqueles que estão fazendo um bom trabalho”. Jéssica Paula (jessica@agenciaaids.com.br)

 


 

Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose será lançado na Expoepi

 

Durante a 15ª Expoepi, que acontecerá entre os dias 28 e 30 de junho em Brasília, será lançado o Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose.  O documento irá definir os indicadores utilizados para monitorar as ações empregadas por estados e municípios na rede de atenção à saúde. 

A solenidade terá a presença do secretário de Vigilância em Saúde, Adeilson Cavalcante, e está prevista para acontecer no dia 29, quinta-feira, às 08h30, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. 

O Plano Nacional salienta que a tuberculose existe e tem cura garantida desde que o tratamento seja realizado até o final. E destaca também que a responsabilidade pelo sucesso do tratamento não é somente do usuário, mas que deve ser compartilhada com a equipe de saúde,  com a  família e amigos. 

Dividido em três pilares: prevenção e cuidado integrado e centrado no paciente; políticas públicas e sistema de apoio; e intensificação de pesquisa e inovação, o Plano Nacional objetiva diagnosticar precocemente a doença e garantir o tratamento contínuo, diminuindo o abandono antes do período recomendado, que é de no mínimo seis meses. “Somente conseguiremos eliminar a tuberculose no Brasil como problema de saúde pública a partir de ações integradas entre os diferentes atores da sociedade, por isso a importância de um plano que reúna todas as orientações”, destaca Denise Arakaki, coordenadora do Programa Nacional de Controle da Tuberculose – CGPNCT. 

Graças aos esforços do Programa Nacional de Controle da Tuberculose, em parceria com estados e municípios, o Brasil conseguiu atingir as Metas dos Objetivos do Milênio (ODM) de combate à tuberculose com três anos de antecedência. E, em 2015, aderiu ao compromisso global de redução de 95% dos óbitos e 90% do coeficiente de incidência da doença até 2035 

O monitoramento das ações de controle da tuberculose nos serviços de saúde reflete diretamente no desempenho dos serviços prestados no Sistema Único de Saúde (SUS) e na qualidade do cuidado à pessoa portadora da tuberculose. Este controle passará a ser feito com base em indicadores relacionados à detecção, ao diagnóstico, à coinfecção TB-HIV, à conclusão do tratamento e aos casos de tuberculose latente, sensível e drogarresistente. 

CASOS – Em 2016, foram registrados 66,7 mil casos novos e 12,8 mil casos de retratamento (abandono ao tratamento) de tuberculose no Brasil. No período de 2007 a 2016, o coeficiente de incidência da doença apresentou uma variação média anual de -1,7%, passando de 37,90/100 mil habitantes em 2007 para 32,4/100 mil habitantes em 2016. A redução da incidência nos 10 anos foi de 14,1% e a meta até 2035 é ter a incidência menor que 10/100 mil habitantes. 

O coeficiente de mortalidade por tuberculose apresentou redução de 15,4%, passando de 2,6/100 mil habitantes, em 2006, para 2,2/100 mil habitantes em 2015. O Brasil ainda registrou 4,5 mil óbitos por tuberculose em 2015. Os estados do Rio de Janeiro (5,0/100 mil hab.), de Pernambuco (4,5/100 mil hab.), do Amazonas (3,2/100 mil hab.) e do Pará (2,6/100 mil hab.) apresentaram os maiores riscos para o óbito por tuberculose. No mundo, em 2015, a tuberculose foi a doença infecciosa que mais causou mortes. 

SINTOMAS – O principal sintoma da tuberculose é a tosse por mais de três semanas, com ou sem catarro. Qualquer pessoa com esse sintoma deve procurar uma unidade de saúde para fazer o diagnóstico. São mais vulneráveis à doença as populações indígenas; as populações privada de liberdade, os que vivem em situação de rua – estes devido à dificuldade de acesso aos serviços de saúde e às condições específicas de vida -; além das pessoas vivendo com o HIV. Dentre as pessoas com diagnóstico confirmado de tuberculose, 9,7% apresentaram coinfecção por HIV em 2015. 

TESTE RÁPIDO – Em 2014, o Ministério da Saúde implantou no país a Rede de Teste Rápido para Tuberculose (RTR-TB), que utiliza a técnica de biologia molecular PCR em tempo real. Denominado “Teste Rápido Molecular (TRM), conhecido como Xpert MTB/Rif ®”, o teste detecta a presença do bacilo causador da doença em duas horas e identifica se há resistência ao antibiótico rifampicina, um dos principais medicamentos usado no tratamento. 

Foram distribuídos 160 equipamentos para laboratórios de 92 municípios, em todas as unidades da federação. Os municípios escolhidos notificam, anualmente, cerca de 60% dos casos novos de tuberculose diagnosticados no país. 

O investimento inicial do Ministério da Saúde para estas ações foi de cerca de R$ 17 milhões. Para monitorar a implantação desta rede, mensurar a realização dos testes e auxiliar a vigilância epidemiológica da doença, o Programa Nacional de Controle da Tuberculose publicou, em dezembro de 2015, um relatório em que estão descritas as principais atividades desenvolvidas pelos programas de controle da doença (nacional, estadual e municipal) e laboratórios municipais e centrais no primeiro ano de implantação da RTR-TB. 

Para 2017, está prevista a distribuição de 70 novos equipamentos, com capacidade para realizar, inicialmente, 250 mil testes. Os equipamentos serão distribuídos de acordo com critérios técnicos e operacionais para municípios brasileiros. Com a medida, o percentual de diagnóstico da doença, com esta tecnologia, será ampliado para cerca de 75% de cobertura de casos novos. 

Acesse a minuta do plano aqui: https://files.acrobat.com/a/preview/15f27a47-3058-4c12-9898-3b78417ffb1f 

Fonte: http://15expoepi.com.br/plano-nacional-pelo-fim-da-tuberculose-sera-lancado-na-expoepi/