"BCG: Ministério reduz vacina e cidades temem falta", Por Carla Hachmann Collete (Foto: Divulgação ) Toledo –  06/05/2018

 

A indústria não aumentou a produção e o Ministério da Saúde comprou um lote bem menor do medicamento preventivo. Consequência: uma das vacinas mais importantes para crianças recém-nascidas está em falta, ou com estoques muito baixos, em pelo menos seis estados, inclusive no Paraná. A BCG previne a tuberculose e precisa ser tomada logo nos primeiros dias de vida. A Secretaria de Saúde do Paraná informa que o Estado deveria ter recebido até agora 480 mil doses, mas apenas 310 mil foram encaminhadas pelo Ministério da Saúde. Em janeiro nenhuma dose foi encaminhada. O estoque sofreu grande queda e o órgão reconhece que o País inteiro vive um momento de reorganização para que as doses sejam suficientes para imunizar todos os recém-nascidos. O órgão informou em nota que não tem conhecimento de nenhuma cidade sem a vacina, mas em muitas unidades é preciso remanejar o produto ou agendar atendimentos por causa da redução do repasse de doses. Ana Maria Galvan levou a pequena Lívia para receber a vacina em uma unidade de Toledo e não encontrou a vacina. A mãe foi orientada a agendar a vacina e voltar na unidade básica em três dias, quando um novo frasco será aberto e dez crianças poderão ser vacinadas. A cidade não é a única que tenta driblar a falta de vacina com medidas de planejamento e economia. De acordo com a chefe da 20ª Regional de Saúde, Denise Liell, muitas cidades encontraram na economia a forma mais segura de garantir que todas as crianças nesta faixa etária sejam vacinadas e que nem uma dose se perca. “Quando um frasco de vacina é aberto as doses que sobram se perdem em algumas horas, causando baixa ainda maior no estoque. A organização de cada uma das cidades é muito importante nesse controle eficaz”, destaca.

 

Fonte: https://www.oparana.com.br/noticia/bcg-ministerio-reduz-vacina-e-cidades-temem-falta

 

 


PrEP está disponível em 36 serviços do SUS a partir deste mês

Na primeira fase, 22 municípios serão atendidos; Brasil é o primeiro país da América Latina a utilizar essa estratégia de prevenção

Publicado: 21.12.2017 

A Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) já está disponível, em 36 serviços do Sistema Único de Saúde em 22 cidades brasileiras. Os serviços começaram a receber o medicamente nesta segunda-feira, dia 18. Nesta primeira etapa da implantação, os 10 estados e o Distrito Federal atendidos, serão Amazonas (Manaus), Bahia (Salvador), Ceará (Fortaleza), Distrito Federal (Brasília), Minas Gerais (Belo Horizonte, Uberlândia, Juiz de Fora e Passos), Pernambuco (Recife), Paraná (Curitiba), Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, Niterói e Duque de Caxias), Rio Grande do Sul (Porto Alegre), Santa Catarina (Florianópolis) e São Paulo (São Paulo, Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto, Santos, São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto). Confira aqui a lista de serviços que ofertarão a PrEP.

Esses estados e o Distrito Federal foram escolhidos por terem participado de projetos pilotos da PrEP. Os outros 16 estados brasileiros serão contemplados até maio de 2018. O Brasil é o primeiro país da América Latina a utilizar essa estratégia de prevenção como política de saúde pública.

O público prioritário para PrEP são as populações-chave, que concentram a maior prevalência de HIV no país: gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH); pessoas trans; trabalhadores/as do sexo - e casais sorodiferentes (quando uma pessoa está infectada pelo HIV e a outra não). O simples pertencimento a um desses grupos não é suficiente para caracterizar indivíduos com exposição frequente ao HIV.

 “Uma série de critérios deve ser levada em conta antes da indicação da PrEP, como o número de parceiros sexuais, os outros métodos de prevenção utilizados, o compromisso com a adesão ao medicamento, entre outros”, destaca a diretora do Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken. A PrEP poderá ser indicada para pessoas, pertencentes aos grupos prioritários citados, que realizaram sexo anal ou vaginal sem preservativo nos últimos 6 meses e/ou apresentaram episódios frequentes de IST ou uso repetido da PEP.

De uso contínuo a PrEP, é preciso tomar o comprimido diariamente para ficar protegido do HIV, sendo que a proteção se inicia a partir do 7º dia para exposição por relação anal e a partir do 20º dia para exposição por relação vaginal. A PrEP só será indicada após testagem do paciente para HIV, uma vez que é contraindicada para pessoas já infectadas pelo vírus.

PrEP no mundo - A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda, desde 2012, a oferta da PrEP, que já é utilizada nos Estados Unidos, Bélgica, Escócia, Peru e Canadá, comercializada na rede privada, e na França, África do Sul, que a oferecem no sistema público de saúde. O investimento inicial do Ministério da Saúde será de R$ 8,6 milhões para 3,6 milhões de comprimidos, para atender à demanda pelo período de um ano, aproximadamente.

Aplicativos – Os profissionais de saúde, gestores e o público terão à disposição o aplicativo do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da PrEP. Reproduzido na íntegra, o app oferece a facilidade de busca aos conteúdos mais acessados por meio de títulos e subtítulos e sinalização para favoritos e opções de compartilhamento. No aplicativo também poderá ser feita a busca pelos locais em que a profilaxia é realizada no Brasil e perguntas frequentes sobre o tema. O aplicativo pode ser obtidos na Apple Store e na Google Play para smartphones com sistemas Android ou IOS.

Já na biblioteca do site do DIAHV, está disponível o guia  Diretrizes para a Organização dos Serviços de Saúde que ofertam a PrEP ao HIV no Sistema Único de Saúde. Nele, os profissionais de saúde envolvidos na oferta da PrEP terão informações sobre as rotinas e preventivas e de cuidado.

A PrEP insere-se na “Prevenção Combinada”, como forma de potencializar a proteção contra o HIV, que inclui: testagem regular; profilaxia pós-exposição (PEP); teste durante o pré-natal e tratamento da gestante que vive com o vírus; redução de danos para uso de drogas; testagem e tratamento de outras infecções sexualmente transmissíveis (IST) e das hepatites virais; uso de preservativo masculino e feminino, além do tratamento para todas as pessoas.

Cabe destacar que a PrEP não protege o indivíduo de outras infecções sexualmente transmissíveis como sífilis e gonorreia, tão pouco da gravidez. Por isso, o uso do preservativo continua sendo recomendado. 

Para mais informações acesse: www.aids.gov.br/prep

 



Instituições de diversos seguimentos foram certificadas neste mês de novembro pela organização não governamental (ONG) Instituto Vida Nova, por participar oficialmente do Projeto Agora Você Está Pronto (leia mais), ato simbólico, no qual 135 instituições parceiras demonstram a sua preocupação com a epidemia da Aids e acesso aos insumos de prevenção, fazendo com que a população tenha a sua disponibilidade a qualquer hora do dia ou noite camisinha, gel lubrificante e materiais informativos sobre DST, Profilaxia Pós Exposição (PEP) e outros. Com o apoio das parcerias o projeto disponibiliza 135 mil preservativos por mês, e se destaca por inspirar a população ao acesso desses insumos de prevenção e tomar atitudes diante das mudanças de comportamento. O Instituto Vida Nova está dedicada à prevenção das Infecções Sexualmente transmissíveis (ITS), assistência às pessoas com HIV/Aids e promoção do controle social nas políticas públicas de saúde e direitos Humanos. Saiba mais www.ividanova.org.br

  

 


 

Anaids pede ao governo melhor planejamento na implementação da PrEP no Brasil - 17/01/2018

A Articulação Nacional de Luta contra a Aids (Anaids) publicou nota questionando a forma com que o Ministério da Saúde está conduzindo a implementação da PrEP, a Profilaxia pré-Exposição, no Brasil. Segundo o documento, essa alternativa de prevenção ainda está distante de se tornar realidade. “É urgente uma divulgação efetiva dos serviços onde a Prep está sendo ofertada, com planejamento de ações de comunicação, em diversas linguagens, garantindo o acesso da informação aos usuários.”

O texto ainda reforça a importância da PEP, a Profilaxia pós-Exposição. “Apesar de se configurar como uma estratégia de prevenção eficiente, a Pep vivencia ainda grandes dificuldades na sua concretização enquanto política de prevenção.”

Nesta terça-feira (16) a Agência de Notícias da Aids publicou, na íntegra, a nota divulgada pelo Ministério da Saúde sobre a implementação da Prep. Além disso, ativistas manifestaram sua opinião sobre o tema e criticaram a demora da chegada da profilaxia no SUS. Fonte Agencia de Notícias da Aids



Cuidados com sexo oral evitam contrair doenças, DSTs/HIV

O tema sexo oral vem sempre acompanhado de tabus, dúvidas, questões e polêmicas. Com camisinha ou sem? O esperma ou pênis transmitem doenças? E a vagina? Transmite AIDS?

Primeiramente vamos focar no quesito AIDS (ou vírus HIV). Durante muito tempo isso foi controverso, até que uma pesquisa confirmou que em determinadas situações o sexo oral pode sim transmitir o vírus HIV. Se a pessoa estiver com algum ferimento na boca (gengivite, afta, machucados ou lesões por mordidas ou escova de dente), por exemplo, pode facilitar a infecção. No entanto, esse risco é muito baixo quando comparado com as outras possíveis formas de contágio (sexo vaginal ou anal e compartilhamento de seringas).

Mas além da AIDS, o sexo oral também pode vir acompanhado de outras Doenças Sexualmente Transmissíveis(DST), como sífilis, gonorreia, herpes ou HPV. Por isso, na dúvida, o recomendado é o uso da camisinha para o sexo oral e que seja realizada uma boa higiene tanto da região bucal, como genital, antes e depois do ato.

Vale lembrar que o mesmo pode ocorrer para quem recebe o sexo oral. Caso hajam feridas bucais, elas também podem fazer o caminho inverso do acima e transmitir alguma DST para o pênis ou vagina que recebe o ato.

Engolir o esperma

Outra questão sempre levantada é sobre engolir o sêmen do parceiro. Se há algum risco grave ou perigo. Desde que o parceiro não tenha nenhuma DST, não há problema ou risco algum.

Sexo oral no ânus

O sexo oral anal requer muito cuidado, pois a região é rica em bactérias que podem gerar problemas como infecções e diarreias. Portanto, para um sexo oral anal seguro a região deve ser muito bem lavada e higienizada previamente. Jeferson Machado Santos. CRF-SE: 658.

Ao fazer sexo oral num homem, recomenda-se que o parceiro use preservativo para evitar o contato direto da boca com o pênis

Na prática do sexo oral numa mulher aconselha-se o uso de uma barreira que impeça o contato direto da boca com a vagina. A barreira pode ser uma camisinha cortada - formando um retângulo - ou filme de PVC, usado na cozinha

Evite fazer sexo oral se tiver algum machucado, lesão ou inflamação na boca (inclusive gengivite)

Evite fazer sexo oral se tiver algum sangramento na boca ou se acabou de escovar os dentes e houve sangramento

Quem faz sexo oral em um homem deve evitar ejaculação na boca

Na mulher, deve-se evitar sexo oral durante o período menstrual - Fonte - www.aids.org.br 



   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

Projeto Transprevenção 


 
Mulheres e homens transexuais  terão oportunidade de participar de rodas de conversa em suas residências para entender as formas de prevenção do HIV a partir da mandala de prevenção combinada. A apresentação do Projeto Transprevenção aconteceu na reunião do Fórum das ONGs/AIDS do Estado de São Paulo. Estar no domicílio é inovar dentro das propostas de ações preventivas do HIV. O Projeto Transprevenção no período de 24 meses irá atingir 270 pessoas trans e  abrangerá municípios de Guarulhos, Itaquaquecetuba, Suzano,    Ferraz de Vasconcelos e São Paulo, com realização do Instituto Vida nova e com apoio do Programa Estadual de DST/AIDS.
 

 

Incidência de tuberculose em presos é 30 vezes maior do que na população geral

 

Em 20 de dezembro de 2016, Jonathan de Souza Conceição deixou o Instituto Penal Vicente Piragibe, em Bangu, Zona Oeste do Rio, tossindo sangue e mal sustentando de pé o corpo franzino de 40 kg. Ele havia passado sete anos preso, e, ao ganhar liberdade, foi levado a um hospital por sua mãe, Márcia Helena. Só lá foi diagnosticado com tuberculose. A mãe chegou a ouvir de um médico que o Estado havia matado o seu filho. Jonathan já estava sem um pulmão e apenas com metade do outro funcionando. Ele morreu aos 26 anos, menos de um mês após ser solto.

“Como acha que eu estou hoje, como mãe? Até hoje o Estado não me deu uma resposta. E muitos garotos sofrem lá dentro com condições deploráveis de saúde, mas em geral as mães têm medo (de denunciar)”, conta ela, que agora luta contra a depressão. “Meu filho entrou na prisão com mais de 80 kg e saiu com 40 kg, sem andar, fraco. Agora que já o levaram, não tenho medo de mais nada.”

Nos meses que antecederam a soltura de Jonathan, Márcia diz ter feito uma peregrinação à Vara de Execuções Penais (VEP) e à Defensoria Pública, tendo também procurado por diversas vezes o diretor e assistentes sociais do presídio. Ela percebia a fraqueza extrema do filho toda vez que o visitava. Depois de sua mobilização, Jonathan chegou a ser internado em uma unidade de saúde da penitenciária, mas, segundo Márcia Helena, ficou lá só por três dias, sem isolamento e apenas tomando soro.

“Como alguém vai ser curado de tuberculose assim? Não aceito tê-lo perdido”, desabafa ela. “Fora isso, a cela era muito lotada e tinha muito rato.”

‘Fábricas de tuberculose’

O caso de Jonathan ilustra por que alguns especialistas chamam os presídios brasileiros de “fábricas de tuberculose”. Segundo dados do Ministério da Saúde e pesquisas da Fiocruz, enquanto a média de registros dessa doença na população total do país é de 32 a cada 100 mil habitantes, a média na população carcerária é de 932 infectados por 100 mil. Isso significa que, dentro das prisões, há uma incidência praticamente 30 vezes maior da doença.

No Rio, a situação é ainda pior. A média de casos chega a quase 2 mil a cada 100 mil presos, o que torna o estado o primeiro em incidência de tuberculose na população privada de liberdade. De acordo com a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap-RJ), 1.800 internos estão atualmente em tratamento no sistema prisional do Rio.

“É uma política de extermínio, do ponto de vista dos direitos humanos. Os presídios brasileiros são fábricas de tuberculose. Faltam condições salubres para a vida ali. É como uma punição em dobro.”

No mês em que é lembrado o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, no último sábado, um levantamento feito pelo Globo com as secretarias de Administração Penitenciária do Rio, Espírito Santo, Minas Gerais e Pernambuco mostra que o número de casos só aumenta, ano a ano. No Rio, a doença atingiu 1,7% dos presos em 2015; 2%, em 2016; e 2,6%, no ano passado. Em terras capixabas, esse índice passou de 0,26% em 2016 para 0,32% em 2017. Em Minas, de 0,28% para 0,33% no mesmo período.

Em Pernambuco, os números da tuberculose nas unidades prisionais já representam 10% de todos os casos notificados no estado, com uma taxa incidência de 1.892 para cada 100 mil presos, enquanto na população geral esse índice foi de 49,2 por 100 mil habitantes em 2016.

Os entraves vão desde o diagnóstico lento até o tratamento, que é de difícil adesão por durar ao menos seis meses, com quatro comprimidos diários. A estrutura dos presídios não colabora: o ar circula pouco; a luz do Sol quase não entra; as celas abrigam mais presos do que deveriam; e a alimentação, em geral ruim, enfraquece a imunidade. O infectologista Rafael Sacramento trabalha no sistema prisional de Pernambuco há dois anos, e um dos aspectos que mais o alarmam é como a arquitetura e as condições de higiene de grande parte das penitenciárias são “perfeitas” para que a tuberculose se espalhe.

“O ideal seria que as janelas fossem altas. Assim, o ar quente sairia por ali e o ar frio entraria pelos corredores, que deveriam ter respiradouros. Da forma como é hoje, formam-se bolsões de ar quente, e esse ar não circula”, analisa. “A luz solar, que mata a bactéria causadora da doença, entra pouquíssimo. As celas são estufas para proliferação da doença.”

É consenso entre médicos que, de forma geral, o grande obstáculo para o controle da tuberculose não está na falta de remédios nos presídios, mas na ausência de uma triagem de qualidade assim que o preso chega, e de uma triagem periódica, para que os suspeitos de estarem infectados sejam logo separados. Segundo Sacramento, para um diagnóstico eficaz nessas circunstâncias é preciso ter um exame barato, fácil de ser aplicado, sensível e de simples conservação — o que ainda não está disponível.

“A tuberculose é naturalmente subdiagnosticada. Muitas pessoas chegam às prisões todos os dias e só se descobrem a doença quando está “escrita na testa”, com sintomas claros”, diz.

Além dos presos, os visitantes, funcionários do presídio e a comunidade do entorno estão expostos ao risco.

“É um problema invisível, porque atinge a camada pobre da população. E o alcance do problema só cresce. Em 1990, havia 90 mil pessoas presas no país. Hoje, temos 600 mil, muito por conta de uma política que continua voltada para o encarceramento e não para questões sociais. Nenhum médico pode vislumbrar, para os próximos cinco ou dez anos, uma melhora nesse cenário.”

Interrupções no tratamento

A alta mobilidade dos presos entre as unidades é outro fator que agrava a situação. No Rio, por exemplo, 42% dos detentos ainda não foram julgados. Até que isso aconteça, eles são frequentemente mudados de presídio, o que prejudica a continuidade do tratamento. Quando a ingestão dos remédios é interrompida, é alto o risco de o paciente desenvolver uma nova forma de tuberculose, desta vez resistente às principais drogas. E, se não há problemas na distribuição de remédios contra a doença para os presídios, o mesmo não pode ser dito em relação aos medicamentos próprios para tratar tuberculose multirresistente.

“Esse tipo de remédio, para quem já desenvolveu resistência, é muito caro. Nesses casos, faltam medicamentos”, diz a pneumologista e pesquisadora da ENSP/Fiocruz Margareth Dalcolmo. “Não temos uma alta taxa de casos de tuberculose multirresistente, mas esse número vem pouco a pouco crescendo.”

Não há comprovação de que tenha sido esse o caso de Jonathan de Souza Conceição, mas a Seap-RJ informou em nota que o rapaz manifestou sintomas da doença por duas vezes: em 2014, quando, segundo a secretaria, ele fez “tratamento completo” no sanatório penal do Complexo Penitenciário de Gericinó, e em 2016, quando “o tratamento foi reiniciado” e o rapaz teria tido “alta cura”.

A pesquisadora da Fiocruz ressalta que muitas das condições frequentes entre presos os tornam ainda mais vulneráveis, como HIV e diabetes. Estima-se que metade das mortes por tuberculose se dê em pessoas com o vírus causador da Aids. E diabéticos têm seis vezes mais risco de contrair a doença.

“É um esquema mórbido e perverso. Se um doente entra numa cela de 15 m² com 40 pessoas e fica ali um mês, ele contaminará ao menos outros cinco”, diz.

Helio Torres Filho, integrante da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e diretor médico do laboratório Richet, é enfático: a grande chave é diagnosticar cedo para começar a tratar logo:

“Há testes que dão o diagnóstico em no máximo três horas, já dizendo se é ou não uma bactéria resistente. E, em torno de 15 dias depois de iniciar o tratamento, não se transmite mais a doença.”

Fonte: O Globo

 



Direitos LGBT dão salto com regra de nome social

 05/03/2018 - 11h30

Desde janeiro deste ano, as regras brasileiras que envolvem identidade de gênero ganharam quatro novas atualizações favoráveis à comunidade LGBT. A maior parte trata do uso do nome social por transexuais. Para associações, as decisões geram diversos impactos que minimizam as situações de discriminação.

A alteração mais abrangente partiu do Supremo Tribunal Federal na última quinta-feira (28). Por unanimidade, os ministros autorizaram a alteração do prenome no registro civil de transexuais e transgêneros sem a necessidade de cirurgia de mudança de sexo ou autorização judicial. 

De acordo com Rafaelly Wiest, diretora administrativa da Aliança Nacional LGBT, a decisão do Supremo reconhece a cidadania dos transexuais e transgêneros. "Como ficou colocado pelos ministros, nós temos o direito à privacidade, à liberdade, à dignidade da pessoa humana e todos os outros direitos previstos na Constituição", afirmou. Rafaelly sustenta que a medida confere isonomia. "Nós, do movimento das pessoas trans, sempre defendemos ter o mesmo direito de qualquer outro cidadão e cidadã".

Ela destaca que a regra dá segurança jurídica, pois mantém os demais dados de identidade como filiação e CPF, o que evita a ação de pessoas de mal intencionadas.

Desde o início do ano, o uso do nome social foi liberado nos registros escolares da educação básica e na urna eletrônica. Transexuais poderão também se registrar como candidatos à eleição na cota de gênero que se identifica.

Regulamentação

Parlamentares junto a Associação Nacional de Travestis e Transexuais, e a Associação Brasileira LGBT pretendem encaminhar nesta semana ao Conselho Nacional de Justiça um pedido de regulamentação da troca do prenome de transexuais.

A autorização para que o uso do nome social seja simplificado só passará a valer após a publicação do acórdão e notificação dos tribunais do país.

O deputado Jean Willys (PSOL-RJ) vai acompanhar a solicitação. Ele comemorou a decisão do Supremo, mas lamentou que o Congresso não tenha a mesma capacidade. "Mais uma vez STF acaba legislando no lugar do Congresso Nacional em questões de mudanças na sociedade. Isso é lamentável. Enfraquece a democracia representativa. O Congresso devia fazer isso ao povo em nome da sua diversidade", disse ao Destak.

Outros avanços aguardam votação de parlamentares

O uso do nome social sem a exigência de laudo médico ou psicológico está previsto no texto do projeto 5002/2013, parado na Câmara dos Deputados desde 2016. A proposta, chamada de Lei de Identidade de Gênero, ainda estabelece uma política de saúde pública para transexuais.

No Senado, um projeto de iniciativa popular de criminalização da homofobia, chegou a ser arquivado após nove anos tramitando sem aprovação. A Casa analisará novo texto este ano.

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a última semana o agravamento da pena para crimes de injúria por questões de gênero ou orientação sexual. Ainda no Senado, projeto de 2011 incluiu o casamento homoafetivo no Código Civil. O texto aguarda votação do Plenário.

Mudanças nas regras são criticadas por ala evangélica
O deputado federal Sóstenes Calvacante (DEM-RJ), integrante da bancada evangélica, criticou as decisões tomadas pelos Tribunais Superiores sobre o uso do nome social por transexuais em documentos e nas urnas. Para ele, não representam a vontade da maior parte do país.

"O Judiciário só pode decidir assuntos que não estamos legislando. O movimento LGBT procura por eles porque sabem que na política eles perderam, e nunca vão aprovar nenhuma das suas pautas ideológicas" disse.

De acordo com Sóstenes, a bancada ainda não se reuniu para discutir as recentes decisões das cortes, mas que tem "convicção" de que todos reprovam. 

Em 2015, a bancada evangélica do Congresso questionou judicialmente a norma de autorizou o uso do nome social por servidores públicos transexuais.

Fonte : Destak Jornal - Agencia de Notícias da Aids



Qual é a importância da Visibilidade Trans? Será que somos loucas por querer o direito a comandar nossas próprias vidas?  Por Terra Johari*

 

Quando recebi o convite da Agência Aids para escrever um texto sobre o Dia Nacional da Visibilidade Trans, comemorado no dia 29 de janeiro, fiquei refletindo em que sentido eu poderia oferecer uma contribuição. Afinal, falo da perspectiva de uma travesti negra, mas que não vive com o HIV, de modo que não sinto em meu corpo os efeitos de passar pelo tratamento, combinados com os efeitos da terapia hormonal, apesar de ter em meu círculo de convivência pessoas que vivem com o HIV (todas cisgêneras). 

No entanto, se há algo em que as vivências trans e as vivências positivas se aproximam, é que há uma intensa normatização social destas formas de existência. Várias instituições atuam no sentido de produzir regulações sobre vidas trans e/ou positivas – a família, o Estado em suas mais diversas manifestações (o sistema de saúde, o sistema educacional, o poder judiciário, as polícias), as igrejas, as organizações internacionais, as empresas, a mídia, dentre outras. Os discursos institucionais que procuram determinar os modos pelos quais corpos trans e/ou positivos podem existir produzem efeitos de estigma, que empurra estas populações para as margens da nossa sociedade.

Dessa forma, muitas vezes, pelo simples fato de ser travesti negra, é comum que se presuma que sou trabalhadora do sexo, e que por isso sou positiva. Na verdade, talvez seja mais acertado dizer que se presume que eu sou um vetor de doenças. Essa associação simultânea, que acontece com frequência, não é fruto de mero acaso. Ela decorre de um processo histórico, em que certas populações, em função de ocuparem posições extremamente precarizadas na estrutura social, acabam sofrendo mais severamente os efeitos de uma epidemia. Foi assim que, com a propagação da aids, uma população que já se via empurrada para a prostituição como único caminho de vida possível (em se tratando de mulheres trans e travestis), em função da exclusão do mercado de trabalho, passou a ser associada de forma tão íntima à propagação da aids.

Um exemplo: no dia 17 de janeiro de 2018, foi publicada na Folha de São Paulo uma matéria acerca de uma operação da Polícia Civil ocorrida no final dos anos 80, quando a recente epidemia da aids gerava ainda mais pânico e terror na sociedade. Esta operação, chamada Tarântula, foi noticiada em manchete da mesma Folha da seguinte forma: “Polícia Civil ‘combate’ a aids prendendo travestis”. Ou seja, há cerca de trinta anos, políticas públicas eram operadas no sentido de exterminar uma determinada população, fornecendo a determinados segmentos sociais privilegiados uma falsa sensação de segurança, enquanto assistiam à violência perpetrada contra esses corpos considerados abjetos de seus carros e sacadas, lavando as mãos.

Vejamos, portanto, que se trata de um processo histórico. A transexualidade é patologizada, considerada uma doença mental tanto na CID, classificação internacional de doenças publicada pela Organização Mundial da Saúde, quanto no DSM, um manual produzido pela Associação Americana de Psiquiatria, para profissionais da saúde mental que classifica doenças e perturbações mentais.  A decisão de incluí-la nesses catálogos é tomada por médicos que detém o poder de determinar o que é normal e o que foge da norma. E é a partir do exercício desses poderes ilustrados acima que se produzem estereótipos.

Os estereótipos são modos de conhecer a realidade, verdadeiras estratégias que operam através da fixação de imagens estanques relacionadas a certos atributos ou características de algum grupo. O estereótipo é contraditório: apesar de pregar que um determinado grupo social “foi sempre assim” ou ocupa sempre o mesmo lugar, naturalizando sua inferiorização, ele necessita de uma repetição ansiosa e compulsiva para garantir essa fixação. Ao mesmo tempo, associa a existência desses grupos à desordem e ao caos, como se precisassem ser controlados e tutelados por outros grupos, considerados mais civilizados. Assim, configuram modos de gerenciar a vida e a morte, determinando quais populações poderão ocupar quais espaços, quais corpos valem mais que outros.

Foi por meio da proliferação de estereótipos relacionados, por exemplo, às populações negras e ameríndias, que violentos empreendimentos coloniais foram legitimados. Assim, muitos povos ameríndios foram considerados preguiçosos e infantis, porque não se submetiam ao regime de trabalho e às crenças impostas pelos colonizadores, enquanto povos de origem africana foram considerados animalizados e privados de racionalidade. Esses discursos se difundiram desde tratados científicos até propagandas de sabonete, configurando regimes de verdade, por meio da operação de estereótipos. Deste modo, essas crenças perversas se infiltram na cultura e se fazem presumir verdadeiras. 

É no seio de instituições sociais como as mencionadas acima que se produzem estereótipos, ainda hoje. Ao se retratar travestis como caricatas, loucas, agressivas e sexualmente desenfreadas, o que se pretende, mesmo inconscientemente, é perpetuar o lugar de marginalização social desse grupo, que retroalimenta sua exclusão da família, da escola, do mercado de trabalho, e por aí adiante. Da mesma forma, o pânico moral instigado em relação ao HIV e à aids contribui para a recriminação das várias formas de vivenciar a sexualidade, perpetuando a exclusão de pessoas que vivem com o HIV, consideradas verdadeiros agentes infecciosos mal intencionados, a ponto de surgirem projetos de lei que investem na criminalização da transmissão do vírus. 

Enquanto isso, não é feita uma discussão efetiva sobre garantia de qualidade de vida e acesso à informação, a meios de prevenção e ao tratamento. Dessa forma, quando reivindicamos a Visibilidade Trans, é para que possamos tecer narrativas sobre nossas vivências que partam de nossa perspectiva, rasurando esses estereótipos perversos que perpetuam crenças e preconceitos ao nosso respeito. É para que sejam discutidas condições de acesso à saúde, uma vez que a boa parte das pessoas trans evita frequentar serviços públicos para não sofrerem diversos tipos de violência e tentativas de controle. É para que iniciativas como Rede de Pessoas Trans Vivendo com HIV/Aids, por exemplo, ganhem visibilidade dentro e fora do movimento, repercutindo as reais necessidades dessa população e desvinculando-a das políticas públicas voltadas para HSH. É para reivindicarmos pesquisas e melhores tecnologias de tratamento da aids que levem em consideração a terapia hormonal.

Enfim, lutar pela Visibilidade Trans é caminhar rumo a uma sociedade em que o Bem Viver, ou seja, condições de vida decentes e confortáveis, sejam asseguradas a todos e não apenas a grupos privilegiados e exploradores, como vêm defendendo em suas práticas e teorias movimentos feministas negros, ameríndios e comunitários. É lutar para que nossas necessidades físicas, emocionais, intelectuais, possam ser priorizadas, e não o lucro. Assim, visamos retomar a autonomia sobre nossos corpos, controle sobre nossas vidas, em detrimento de médicos, indústrias farmacêuticas, burocracias estatais, grupos midiáticos e concepções religiosas autoritárias. Afinal, se somos submetidas a tantas formas de controle e violência, quem pode nos culpar por queremos subverter tudo? E se isso é ser louca, nós somos mesmo!!!

* Terra Johari escreve pelo Coletivo Loka de Efavirenz. É advogada, mestranda em Antropologia Social pela USP e modelo. Atua como analista de políticas públicas e gestão governamental na Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo.

Fonte – Agencia de Notícias da Aids - Crédito da foto: Camila Falcão

 

 


 


Pessoas vivendo com HIV/aids têm restrição para tomar vacina da febre amarela17/01/201

Em meio à campanha de vacinação contra febre amarela, promovida pela Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo desde setembro do ano passado, pessoas que vivem com HIV/aids precisam ficar atentas na hora de receber a dose, uma vez que possuem restrições médicas.

A dra. Zarifa Khoury, infectologista do Programa Municipal de DST/Aids, explica que o HIV atinge a imunidade do paciente, comprometendo as células de defesa do organismo, chamadas de grupamento de diferenciação 4, mais conhecidas por CD4. Pessoas que vivem com HIV e possuem menos de 200 células CD4 por milímetro cúbico no sangue não devem ser vacinadas contra a febre amarela. “Esse índice mostra que o paciente está com uma imunodepressão severa, portanto, sujeito a ter fortes reações com a vacina”, diz

A doutora deixa claro que as doses possuem vírus vivos atenuados, que são de fácil controle pelo corpo, desde que a imunidade esteja boa. Como as pessoas com CD4 menor de 200 estão mais vulneráveis, é melhor evitar a vacina.

“Essa situação pode mudar, caso a pessoa viaje para uma área de risco ou a própria capital paulista se torne área de recomendação para vacinação. É então que médico desse paciente irá analisar os riscos-benefícios da aplicação”, argumenta Khoury. “É preferível que a pessoa tenha um quadro leve de febre amarela do que falecer por conta da doença”, completa.

Pessoas vivendo com HIV acima de 200 CD4 e que fazem uso de corticoides em doses altas por mais de 15 dias, ou que utilizam ciclosporina ou ainda ciclofosfamida também não devem ser vacinadas. A recomendação sempre é que, em caso de dúvida, o médico deve ser procurado.

Quem deve ser vacinado?

Apesar dessas orientações, a Secretaria Municipal da Saúde informa que não há transmissão de febre amarela no município de São Paulo e, portanto, a campanha é de prevenção à doença. Dessa forma, devem ser vacinados apenas os moradores da região norte (confira os endereços dos postos de vacinação aqui), do distrito de Raposo Tavares, na zona oeste (postos de vacinação) e dos distritos de Jardim Ângela, Parelheiros, Capão Redondo (área de abrangência da UBS Luar do Sertão) e Marsilac (locais de aplicação na zona sul). Saiba mais no site da Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa). Dica de entrevista Programa Municipal DST/Aids Thiago Pássaro Tel.: (11) 3397- 2341 


 


QUE SABENDO !!!


Testagem para HIV será tema de campanha do UNAIDS para 30º Dia Mundial contra a AIDS

No próximo dia 1º de dezembro, o mundo completará 30 anos da criação do Dia Mundial contra a AIDS. Desde 1988, a resposta à AIDS alcançou progressos significativos. Atualmente, três em cada quatro pessoas vivendo com HIV conhecem seu estado sorológico. No entanto, ainda temos um longo caminho a percorrer, como mostra o último relatório do UNAIDS. E entre estes inúmeros desafios, precisamos alcançar as pessoas vivendo com HIV que ainda não conhecem seu estado sorológico e garantir que elas tenham acesso aos serviços de prevenção e atendimento de qualidade. Com o objetivo de reforçar e promover esse debate, o UNAIDS adotou para 30º Dia Mundial contra a AIDS o tema Conheça seu estado sorológico para o HIV.

O teste de HIV é essencial para expandir o tratamento e garantir que todas as pessoas vivendo com HIV possam levar vidas saudáveis e produtivas. Além disso, a testagem também é crucial para alcançar as metas 90–90–90 e capacitar as pessoas em suas escolhas relacionadas à prevenção do HIV. Infelizmente, ainda restam muitas barreiras à testagem de HIV, como o estigma e a discriminação. O acesso a testes confidenciais ainda é uma questão preocupante. Muitas pessoas só fazem o teste depois que ficam doentes e mostram sintomas.

A boa notícia é que existem novas maneiras de expandir o acesso ao teste de HIV. Autotestes, testes baseados na comunidade e testes multidisciplinares estão ajudando as pessoas a conhecer seu estado sorológico para o HIV. Programas de testagem de HIV devem ser expandidos. Para isso, precisamos de vontade política e investimentos, bem como abordagens inovadoras para testagem de HIV que sejam totalmente aproveitadas e ampliadas.

Junte-se a nós neste Dia Mundial contra a AIDS para aumentar a conscientização sobre a importância de conhecer o estado sorológico para o HIV e pedir o fim de todas as barreiras que dificultam o acesso ao teste de HIV.

Sobre o Dia Mundial contra a AIDS

O Dia Mundial contra a AIDS teve origem durante a Cúpula Mundial de Ministros da Saúde sobre Programas de Prevenção à AIDS, em 1988. Desde então, anualmente, agências das Nações Unidas, governos e sociedade civil se unem para fazer campanhas sobre temas específicos relacionados à AIDS. - Fonte www.unaids.org.br - 18/09/2018

 



Treinamento prepara revisores para estudar uso de dolutegravir em mulheres em TARV

Objetivo é investigar a relação do medicamento com o defeito de tubo neural em crianças, em resposta a alerta emitido pela OMS

10.08.2018 

Foi concluído na última quarta-feira (08), em Brasília, o treinamento para capacitar revisores para a investigação nacional de mulheres expostas ao dolutegravir (DTG) durante a concepção e seus conceptos. A ação é uma resposta do Brasil a alerta feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o potencial risco de defeito de tubo neural (DTN) em filhos de mulheres expostas ao medicamento. A capacitação foi realizada em Brasília, fruto da parceria entre o Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais do Ministério da Saúde (DIAHV) e o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz);  o National Institute of Allergy and Infection Disease (NIH) – agência de pesquisas médicas do governo norte-americano –; o Caribbean, Central and South American Network for HIV Epidemiology (CCASAnet); e a Universidade Vanderbilt (EUA).

A investigação vai revisar o prontuário de mulheres vivendo com HIV (MVHIV) que fizeram uso do DTG no período periconcepcional – oito semanas antes da data da última menstruação até as oito primeiras semanas de gestação – e que fizeram uso da terapia antirretroviral (TARV) sem o DTG, contendo efavirenz (EFV) ou raltegravir (RAL).

NA PRÁTICA – Foram dois dias de treinamento. No primeiro, os participantes receberam uma contextualização sobre o alerta emitido pela OMS e apresentações. O segundo dia foi dedicado a esclarecimentos de dúvidas e treinamento prático para uso da ferramenta RedCap no tablet. Foram selecionados 70 revisores, por meio da análise de 1.500 currículos de profissionais que serão responsáveis por um número específico de casos de gestantes, expostas ou não ao DTG, em 26 estados brasileiros, com exceção do Acre.

Os profissionais farão coleta de dados, inicialmente, por meio das unidades dispensadoras de medicamentos de cada estado, a partir dos prontuários médicos, resultados de exames, sistemas de informações e cartões pré-natal. Posteriormente, preencherão um formulário padrão que será incluído no Redcap – que, por sua vez, fará o envio para o banco de informações do DIAHV. Este fará a análise dos dados e, por fim, dará uma resposta às pesquisas.

Ao todo, cerca de 4 mil prontuários serão analisados, com a garantia do sigilo e confidencialidade das mulheres.

A investigação foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), sob o número 2.813.052 (Clique aqui).

CONTEXTO – Em maio de 2018, a OMS divulgou um alerta sobre o potencial risco de DTN em mulheres expostas ao DTG. O alerta foi emitido após divulgação dos resultados de um estudo clínico prospectivo, de vigilância de base populacional, realizado em Botswana. O estudo analisou 95 mil nascimentos durante quatro anos, com objetivo de avaliar desfechos negativos de nascimento associados à terapia antirretroviral.

Resultados preliminares do estudo Tsepamo detectaram DTN em crianças nascidas de mulheres que engravidaram e estavam em uso de DTG.   A taxa foi de aproximadamente 0,9% (n = 4/426) nas crianças nascidas daquelas mulheres. Já em crianças filhas de mulheres em uso de outros ARV durante a concepção, a taxa foi de 0,1%. No mesmo estudo, nenhuma criança nascida de mulher que tenha iniciado DTG durante a gestação teve defeito do tubo neural identificado (n=0/2749).

“Nas duas mesas de que o Brasil participou no Congresso Internacional de AIDS, em Amsterdã, discutindo o DTG, a expectativa e anseios da sociedade científica internacional eram de que fosse realizada uma análise de campo de forma a apresentar um dado concreto sobre esta possibilidade de associação”, afirmou a diretora do DIAHV, Adele Benzaken.

Adele esclareceu que os dados obtidos por Botswana ainda não são definitivos, mas representam um sinal de alerta.  Para ela, a obtenção e a análise dos dados brasileiros irão contribuir para uma possível associação ou não entre a exposição ao DTG durante a concepção e a ocorrência de DTN. “As MVHIV merecem segurança, baseada em evidências, para o uso de medicamentos ao longo da vida, inclusive durante a gravidez e a periconcepção”, destacou.

Fonte: Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais
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Nota informativa recomenda diagnóstico e tratamento de tuberculose latente em pessoas vivendo com HIV – 21/06/2018

 

A prevenção da tuberculose é fundamental para diminuição da mortalidade em pessoas vivendo com HIV. Medicamento para o tratamento da ILTB será ofertado nas unidades dispensadoras de antirretrovirais

Os departamentos de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV) e de Vigilância das Doenças Transmissíveis (DEVIT) do Ministério da Saúde emitiram a Nota Informativa nº 11/2018, com recomendações para tratamento da infecção latente por tuberculose (ILTB) em Pessoas Vivendo com HIV (PVHIV). A ILTB ocorre quando o paciente entrou em contato com o bacilo, mas ainda não desenvolveu a doença. A prevenção da tuberculose ativa em PVHIV é eixo fundamental dentro da estratégia para a diminuição da mortalidade associada a essa coinfecção.

A nota informativa traz como nova recomendação a realização de tratamento para ILTB em todas as PVHIV com contagem de CD4 igual ou menor a 350 independentemente da realização da Prova Tuberculínica (PT), desde que excluída a tuberculose ativa. Além disso, a nota reforça as demais recomendações já vigentes para tratamento de ILTB em PVHIV.

Para otimizar o acesso e a adesão ao tratamento da ILTB em pessoas vivendo com HIV, os dois departamentos (DIAHV e o DEVIT) e o Departamento de Assistência Farmacêutica (DAF) do Ministério da Saúde, juntamente com as coordenações estaduais e municipais responsáveis pelos agravos HIV e tuberculose, construirão fluxo de dispensa da isoniazida 300mg - principal medicamento para o tratamento da ILTB -  nas próprias unidades dispensadoras de medicamentos (UDM) onde as pessoas já retiram seus antirretrovirais para o HIV. Assim, poderão retirar a medicação tanto para tratamento de ILTB quanto os antirretrovirais no mesmo local.

O tratamento para ILTB com isoniazida tem tempo predeterminado (seis ou nove meses), somente poderá ser prescrito para as pessoas que não têm tuberculose ativa e reduz significativamente o risco de desenvolvimento da doença futuramente, constituindo estratégia de proteção para a PVHIV.

DADOS - A tuberculose é uma das principais causas de óbito em pessoas vivendo com HIV. O risco dessas pessoas contraírem a doença é entre 16 e 27 vezes maior do que a população geral. De acordo com o Boletim Epidemiológico Coinfecção TB-HIV: panorama epidemiológico e atividades colaborativas 2017, foram registrados 6.601 casos de coinfecção de tuberculose e HIV no Brasil em 2016. Isso corresponde a 9,4% do total de pessoas com tuberculose – 69.509 casos – no mesmo período.

A Nota Informativa nº11/2018 está disponível aqui.

Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais
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Fonte: www.aids.gov.br

 


Cortes devem agravar situação do SUS, dizem entidades 01/06/2018

Representantes de entidades na área da saúde criticaram nesta quinta-feira (31) o anúncio de novos cortes em recursos do SUS e de outros setores como forma de compensar o subsídio ao diesel. As medidas também geraram críticas de indústrias afetadas pelas mudanças.

Ao todo, foram cortados R$ 179 milhões em recursos do orçamento da saúde, a maioria destinados para as chamadas “ações de fortalecimento do SUS”, área que visa melhoria da estrutura e qualidade dos serviços de saúde.

Entre as ações e programas alvos da redução de recursos, estão o apoio à manutenção de unidades de saúde, melhoria da formação de profissionais e médicos e verbas destinadas a atividades ligadas ao apoio e manutenção de programas consolidados, como o Mais Médicos e Rede Cegonha, voltada ao atendimento a gestantes.

 

O governo diz que o corte afeta apenas verbas já bloqueadas no orçamento. O setor, no entanto, ainda tinha expectativa de que os recursos fossem descontingenciados. Somados outros setores, como educação e segurança, os cortes chegam a R$ 3,4 bilhões.

Para Gastão Wagner, professor da Unicamp e presidente da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), o cenário de redução de recursos ao SUS indica uma política “gravíssima” e “irresponsável”.

“O SUS já passa por dificuldades imensas, com retração de investimentos. A crise dos estados e municípios tem repercutido no SUS, com fechamento de leitos hospitalares e unidades básicas. Cortar recursos implica em mortes que poderiam ser evitadas”, diz.

O presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde), Leonardo Vilela, faz a mesma avaliação. Para ele, os cortes devem agravar a situação de falta de recursos.

“É lamentável. O governo federal sai cada vez mais do financiamento da saúde pública do Brasil e reduz sua participação em relação a Estados e municípios. Isso vai piorar ainda mais as condições de saúde.”

Uma das atividades que teve redução nos recursos, por exemplo, é a Força Nacional do SUS, que atua em apoio aos municípios em situações de emergências em saúde. Para Mário Scheffer, professor de Medicina da USP, a medida pode trazer impactos no combate a epidemias. “Imagine diante de uma epidemia e desastre, a Força Nacional de saúde não ter recursos para ser mobilizada?”

“Como há obrigações a serem cumpridas de custeio da assistência, é muito grave cortar o pouco que tem em investimento nas estruturas que existem. Em um cenário de congelamento de recursos por causa do ajuste fiscal, qualquer corte vai trazer um prejuízo muito grande”, completa.

Fonte: Folha de S. Paulo – clipping: Agencia de Notícias da Aids

 


 

Tenho HIV e quero ser mãe. Que cuidados devo  tomar? 12/05/2018

Além de ser um direito garantido por lei, as mulheres soropositivas podem ter uma gravidez tranquila, segura e com baixo risco de que seu bebê nasça infectado pelo HIV, caso faça o correto acompanhamento médico e siga todas as recomendações e medidas preventivas.

Hoje, o panorama da epidemia mundial mostra que taxa de detecção de HIV/aids em menores de 5 anos caiu 36% nos últimos seis anos, passando de 3,9 casos por 100 mil habitantes, em 2010, para 2,5 casos por 100 mil habitantes, de acordo com o Boletim Epidemiológico HIV/Aids de 2016.

A taxa de transmissão do HIV de mãe para filho durante a gravidez, sem qualquer tratamento, pode ser de 20%. Mas em situações em que a grávida segue todas as recomendações médicas, a possibilidade de infecção do bebê reduz para níveis menores que 1%. Curitiba foi a primeira cidade brasileira a eliminar a transmissão vertical, no ano de 2017, mostrando que é uma realidade possível.

Para incentivar o engajamento dos municípios no combate à transmissão vertical, o Ministério da Saúde está instituindo, com os estados, um selo de Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical de HIV e/ou Sífilis no Brasil. Com base em uma adaptação de critérios já estabelecidos pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a certificação será concedida a municípios cujas taxas de detecção de aids em menores de 5 anos sejam iguais ou inferiores a 0,3 para cada mil crianças nascidas vivas e proporção menor ou igual a 2% de crianças de até 18 meses expostas ao HIV.

A Agência de Notícias da Aids conversou com a ginecologista e obstetra Ariane de Castro do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids de São Paulo que falou sobre os processos durante a gravidez de uma soropositiva.

Pré-Natal

Antes mesmo do pré-natal, é indicada a orientação de médico para a preconcepção, ou seja, um planejamento para verificar se a paciente toma medicamento de forma regular “porque o ideal é que ela engravide já com a carga indetectável”, explica.

Depois da concepção, são solicitados os mesmos exames de uma paciente HIV negativo. “A única diferença é que vamos acrescentar exames como CD4 e prestar mais atenção no desempenho dos rins e do fígado, devido ao uso constante de remédios.”

O número de consultas durante o acompanhamento é padrão. Uma por mês, durante as primeiras 32 semanas. Depois, os encontros passam ser a cada 15 dias e, logo em seguida, toda semana. “O ideal é que a mulher seja atendida pelo infectologista e obstetra juntos. Na mesma consulta. O que é uma realidade aqui no CRT, por exemplo.” No entanto, Ariane explica que se não houver essa possibilidade, as consultas podem ser separadas, desde que aconteça em períodos próximos e com a mesma frequência.

Além disso, os exames são solicitados com uma frequência maior. As gestantes que souberem da infecção durante o pré-natal têm indicação de tratamento já durante a gestação.  “Antes, o antirretroviral efavirenz não era usado na gestação. Toda gestante suspendia o medicamento porque acreditava-se que havia risco para o feto. Hoje estudos mostram que não esse risco não existe, e esse medicamento está sendo usado inclusive como primeira opção”, completa.

Parto

Com 34 semanas, a equipe médica solicita um novo exame de carga viral. Baseando-se nestes resultados, será estabelecida a via de parto. Se a carga for maior do que 1000, o parto será por meio de cesárea.

“É impossível a criança não ter contato com o sangue da mãe no momento do parto.  Por isso, Ele já 4 semanas antes de completar seis horas de vida. AZT endovenoso durante o trabalho de parto, independente é retirado assim que Esse protocolo já está mudando, mulher com carga indetectável não precisaria, no brasil ainda se usa. O motivo é que ainda tem muito receio porque tem mãe que não consegue fazer a carga viral nas 34 semanas, por conta de questões sociais. Demora de exames.

Após o Nascimento

Quando o bebê nasce, ele tem a presença dos anticorpos da mãe até um mês depois de seu nascimento. Por isso, a criança fica em acompanhamento até que tenha realizado três exames de carga viral. O período de cada exame, varia de acordo com orientação de cada pediatra.

Ariane reforça que a amamentação “é absolutamente proibida. Também não há ainda estudos sobre pasteurizar o próprio leite. A orientação é não dar leite materno. Por isso, indicamos remédio para inibir a lactação e a criança se alimenta de leite em pó.”

A distribuição de leite para filhos de mães soropositivas é garantida por lei desde 1999. “Toda criança, cuja mãe possua diagnóstico positivo de teste sorológico anti-HIV, deve receber por parte do Sistema Único de Saúde – SUS leite em quantidade necessária a sua sobrevivência, desde seu nascimento até a idade de dois anos completos.”

Fonte: http://agenciaaids.com.br/noticia/tenho-hiv-e-quero-ser-mae-que-cuidados-devo-tomar/

 


Achar a cura ou 'controlar' a Aids são metas que dividem recursos e pesquisas na luta contra o HIV

Doença afeta 36 milhões de pessoas no mundo. Especialistas ouvidos pelo G1 avaliam onde deveriam estar os investimentos em pesquisa. Por Tatiana Regadas, G1 06/05/2018

Como será a cura do vírus HIV? Será de um tratamento que fortaleça o sistema imunológico ou da terapia genética? Os especialistas não sabem. Mas dentre os muitos caminhos possíveis para chegar a uma cura para o HIV e a AIDS um debate divide cientistas: o problema estará resolvido se conseguirmos chegar è remissão da doença, ou é preciso encontrar a cura?

A medicina considera remissão completa a fase da doença em que não há sinais de sua atividade, mas não é possível considerá-la como cura.

Para Rowena Johnston, vice-presidente da amfAR – organização sem fins lucrativos dedicada ao apoio de pesquisas sobre a AIDS – a cura é o único caminho possível. Em visita ao Brasil, ela falou com o G1 após um debate na Faculdade de Medicina da USP.

Ela acredita em trabalhar sempre “mirando” a cura: “O que acreditamos é que pode haver uma cura, não há nada de impossível sobre curar o HIV, mas temos que colocar os recursos e investimentos nas pesquisas para que possamos achar essa cura.”

Já para o médico Steven Deeks, que pesquisa o HIV há 25 anos no Estados Unidos, o ideal é que cientistas trabalhem para conseguir a remissão antes de seguirem trabalhando para a cura.

“As pessoas querem uma cura real, elas querem todo o vírus eliminado, querem sentir que estão completamente livres da doença. Este é o desejável, mas é o alcançável? Esta é a pergunta. Eu sou completamente a favor de tentar a remissão antes e no caminho aprender se conseguimos curar alguém. Elas [as duas estratégias] não são mutualmente excludentes, mas acho que a estratégia de remissão deveria ser o foco agora, com o objetivo final sendo a cura”, explica.

Para Esper Kallas, infectologista e professor na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, sem a resposta sobre qual estratégia funcionará melhor, o ideal é que existam as duas linhas de pesquisa: uma que trabalhe para a remissão e outra que busque a cura.

“O que ocorrer primeiro está bom” - Esper Kallas

Os custos na luta contra o HIV para saúde pública em todo mundo são altos. Este é um dos principais motivadores dos pesquisadores: o medo de que menos investimentos sejam feitos e o mundo tenha um avanço da doença e das mortes por Aids.

“Penso que o investimento global em fornecer tratamento em todo o mundo não vai continuar a aumentar. Está estável agora e existem muitos motivos para acreditar que vai começar a diminuir. E neste caso precisamos de um plano B para daqui a dez, 20 anos", aponta Deeks.

"Ter algo de curto prazo que pode atingir a remissão e controlar o vírus abaixo dos níveis em que a pessoa não infecte outros vai ter um grande efeito de níveis globais. E contribuiria para o fim do HIV e AIDS” - Steven Deeks

Como seria a cura?

A amfAR apoia atualmente 139 pesquisadores dedicados a curar o HIV. Johnston supervisiona os estudos financiados pela organização e acredita que o sistema imunológico talvez não seja um caminho viável.

Ela aposta na terapia genética, em que trabalha-se para retirar o vírus HIV das células infectadas: “Isso não tem nada a ver com sistema imunológico, além do fato de o vírus estar nas células que estão no sistema imunológico. Você pode curar o HIV sem pedir que o sistema imunológico faça alguma coisa.”

A terapia genética também é a aposta de Deeks, além do transplante de medula, usada no caso do “paciente de Berlim”, homem que teve remissão completa do vírus após transplante de medula óssea de doador resistente ao HIV.

“Os mais promissores acho que são as terapias genéticas e o transplante de medula, que eventualmente vão funcionar, mas serão caros e talvez não tenham um impacto global", diz Deeks.

"Conseguir algo que seja simples, como uma pílula por seis meses, que curaria alguém, é o que todos queremos, mas será bem mais desafiador” - Steven Deeks.

 

Pesquisas precisam de diversidade

Um problema recorrente nas pesquisas sobre o HIV é a falta de diversidade dos grupos estudados. Como a maior parte das pesquisas é realizada na Europa e nos EUA, em geral, os testes são feitos em homens gays.

Johnston ressalta que a falta de estudos com mulheres, por exemplo, pode significar que uma possível cura descoberta não seja eficaz para todos.

“Acredita-se que, se acharmos uma cura para o homem [ela] vai funcionar para a mulher. Mas, assim que estudamos células de mulheres e colocamos o estrogênio nessa mistura, já identificamos que ele pode evitar que uma cura seja efetiva. Então, sabemos que se usarmos uma droga para bloquear estrogênio, isso pode fazer a cura mais eficaz.”

Tanto Johnston quanto Kallas acreditam que o Brasil poderia ter um papel chave nas pesquisas por causa de sua grande diversidade étnica, mas sofre com a falta de recursos.

“Há poucos grupos de pesquisa dedicados ao assunto, associado à escassa fonte de financiamento no país. Aliás, o financiamento da pesquisa brasileira sofreu duro corte no último ano, comprometendo ainda mais a estruturação e competitividade da pesquisa brasileira”, analisa Kallas.

Prevenção

Sem uma cura, o trabalho de prevenção ainda representa uma parte importante na luta contra o avanço da doença no mundo. No Brasil, Kallas ressalta a importância de trabalhar com os grupos mais vulneráveis, como homens gays em grandes cidades e mulheres trans. “Enquanto a proporção da população brasileira infectada é estimada em 0,4%, alguns grupos têm taxas de infecção muito mais alta. Isso mostra que falhamos na prevenção nesses grupos.”

A camisinha é um dos caminhos para a prevenção do HIV, mas não é mais o único, nem é considerado o principal por alguns especialistas. “Apostar só na camisinha não conteve o avanço da epidemia de forma satisfatória. Precisamos continuar adicionando outros métodos de prevenção”, diz Kallas.

 

Dentre estes métodos está o Prep (Profilaxia de Pré-exposição), tratamento que evita que pessoas expostas ao vírus HIV desenvolvam Aids. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o tratamento para grupos considerados de risco: profissionais do sexo, homens e mulheres transexuais, casais sorodiferentes (quando um tem HIV e o outro não) e homens gays – independentemente de terem parceiro fixo ou não.

Por ser uma doença sexualmente transmissível (DST), Johnston acredita que o julgamento impede avanços.

“Se tivéssemos a cura, se fosse barato, seria tão ruim se durante sua vida uma pessoa tivesse HIV 10 vezes e fosse curada 10 vezes? Acho que é algo a ser pensado.”

Apesar do preconceito com quem faz, o Prep tem se mostrado um caminho para a prevenção da doença. Segundo Kallas, em São Francisco, nos EUA, o Prep conseguiu pela primeira vez reduzir o número de casos da infecção pelo HIV e mortes por Aids desde sua implementação, em 2012.

“Para funcionar no Brasil, contudo, deve ser adotada no contexto da prevenção combinada e receber contínuo investimento”, ressalta.

Para Deeks, durante a implementação de novos tratamentos, como o Prep, é preciso sempre debate, mas ele acredita que o tratamento de pré-exposição é um caminho a ser seguido.

“As pessoas deveriam ter alguma liberdade sobre como viver sua vida sexual. Eu acho que os indivíduos deveriam ter acesso ao Prep e decidir como usá-lo.”

Johnston também acredita no potencial do Prep como prevenção. Para ela, como é algo ainda novo, é normal que as pessoas questionem e não entendam totalmente.

“Você precisa ter certeza de que as pessoas que estão usando entendam o que elas podem ou não podem fazer. A grande questão é: a pessoa que está usando a tecnologia entende exatamente como deveria ser usada e está usando exatamente como deveria ser? Existe um potencial para não entender a situação por completo”, diz.

Enquanto a cura não chega, Johnston acredita que o assunto precisa ser debatido para que não falte informação sobre o HIV e a Aids: "Enquanto existir HIV no mundo, qualquer pessoa que seja sexualmente ativa tem potencial para pegar. É muito importante que as pessoas entendam como podem se proteger do HIV, mas saibam quais são os passos a seguir caso peguem."

"Ninguém se considera uma pessoa que poderia pegar HIV até que acontece com elas. É preciso que as pessoas entendam que o vírus não sabe disso", diz Johnston.

Fonte: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/achar-a-cura-ou-controlar-a-aids-sao-metas-que-dividem-recursos-e-pesquisas-na-luta-contra-o-hiv.ghtml

 Imagens: (Foto: Photo: Jens Kalaene/dpa/AFP/Arquivo) - (Foto: Steve Jennings/Getty Images North America/AFP/Arquivo) - (Foto: Paul Sakuma/AP) -

  


 

 

24 de março é o Dia de Mundial da Tuberculose, data que marca a mobilização mundial entorno de uma doença que continua atingindo milhões de pessoas em todo o mundo. Somente no Brasil são mais de cinco mil mortes por ano. Visando alertar sobre a necessidade de prevenção, testagem e adesão ao tratamento o Comitê Estadual de Controle Social da Tuberculose de São Paulo, coletivo que reúne representações da sociedade civil e gestores do estado, está organizando uma ação em parceria com a Fiesp. Durante o dia 23 de março, das 11h às 14h haverá distribuição de material, troca de informações e atividades lúdicas na calçada da Fiesp na Avenida Paulista, 1313. 

” A ação visa chamar a atenção da população para uma doença que tem cura e que pode ser vencida, desde que se conclua o tratamento, de seis meses”, alerta o coordenador do Comitê José Carlos Veloso que também chama a atenção para a carga de preconceito que ainda encobre esta realidade.

Segundo a coordenadora estadual de Tuberculose da Secretaria Estadual da Saúde, Vera Galesi, as populações mais atingidas ainda são os detentos, indígenas, pessoas que vivem com HIV e pessoas em situação de rua, “mas isto não impede que qualquer outro grupo possa contrair o bacilo, por isto a importância de arejar os ambientes e da detecção precoce”, alerta.

Participam da atividade, além dos ativistas e profissionais de saúde, alunos de graduação da Universidade Nove de Julho (Uninove). A ação é uma iniciativa do +Saúde- Programa de Prevenção e Educação do Comitê da Cadeia Produtiva de Saúde e Biotecnologia da Fiesp, que atuam na divulgação de ações de prevenção e testagem para a população, a cada mês.

Serviço: 

Ação do Dia de Luta contra a Tuberculose 

23 de Março
Das 11h as 14h
Calçada da Fiesp ( Avenida Paulista, 1313)

  


  

PrEP em São Paulo: municípios falam sobre como foram os primeiros meses de oferta do medicamento que previne a aids  01/03/2018 

Aconteceu, na manhã desta quinta-feira (1), uma reunião com representantes dos serviços de saúde que oferecem PrEP no estado de São Paulo com o objetivo de trocar experiências e tirar dúvidas a respeito da Profilaxia Pré-Exposição. Dentre os principais pontos abordados no encontro, está o fato de que as pessoas que buscaram a PrEP, até agora, são de alto grau de escolaridade e de pouca vulnerabilidade. Além disso, os profissionais relataram que os serviços estão recebendo pessoas de outras cidades que ainda não oferecem a nova forma de prevenção.

No estado de São Paulo, são 469 o número de usuários cadastrados e já foram solicitadas mais 620 PrEPs, segundo o relatórios do Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (Siclom). Artur Kalichman, coordenador do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, garantiu que não há restrição para continuidade da profilaxia. Ou seja, quem já iniciou não terá problemas nos próximos meses caso queira continuar tomando a truvada. Por isso, após alguns profissionais relatarem inseguranças na hora de indicar ou não o medicamento para as pessoas que se sentem vulneráveis e procuraram por essa alternativa, chegou-se ao consenso de que, na dúvida, é melhor oferecer a PrEP.

A coordenadora de Vigilância de Infecções Sexualmente Transmissíveis e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Tatiana Alencar, esteve presente através de transmissão online e reforçou que ainda não há autorização da Anvisa para prescrever a truvada para menores de 18 anos, “por isso, desejamos que uma das portas de entrada para falar sobre outros meios de prevenção seja projetos que trabalhem com esse público”.

Representando os serviços de São José do Rio Preto, Diene Trajano e Maria Amélia disseram aproveitar o primeiro mês da implementação para divulgar a PrEP na grande mídia. “Esperávamos que fosse uma procura muito maior, mas as pessoas disseram que queriam pensar se realmente estão dispostas a tomar. Os oito pacientes, que hoje estão cadastrados no município, foram identificados pelo próprio serviço por já fazerem uso de PrEP”, explicam. Elas também revelaram que as pessoas chegam procurando pela “pílula antiaids”, o que passa a ideia de ser apenas um comprimido a ser tomado uma única vez.

Por outro lado, Ricardo Vasconcelos, infectologista do Ambulatório da Universidade de São Paulo afirma que a profilaxia chegou por lá como uma avalanche, com muita demanda através de ligações para marcar atendimento. “Tivemos que mudar a forma da inscrição para presencial porque a telefonista não conseguia atender a todos os chamados. Estamos com agendamento para até final de abril”. Ricardo disse, também, que quase todos aqueles que entram em contato são da região de Pinheiros. “Não acho que seja através das grandes redes de TV que vamos encontrar as pessoas que mais precisam da PrEP. Então o boca a boca em ações extramuros deve ser mais eficiente.”

Karina Wolffenbuttel, pesquisadora do CRT, defendeu que os serviços precisam se integrar porque alguns lugares estão procurando por mais pessoas para atender, “e o fato de fazer os pacientes irem pessoalmente enquanto poderiam fazer agendamento por telefone é preocupante, porque eles podem desistir nesse processo”.

O enfermeiro Alexandre Lelis do Serviço de Atendimento Especializado de São Bernardo do Campo falou sobre a experiência no local que se destacou pela forma com que a equipe conseguiu se resolver para otimizar os atendimentos realizados. “O médico está lá para prescrever  e o restante, a prevenção combinada, gerenciamento de risco e os testes ficam a cargo de enfermeiros e farmacêuticos, uma equipe multiprofissional.”

Os representantes de Campinas disseram que a mídia pressionou muito para obter informação. “Então tivemos duas estratégias: criamos um e-mail onde recebemos vários pedidos de informação, o que deu muito certo. E fizemos uma ficha inicial para acelerar o processo, com informações gerais para direcionar melhor as pessoas. Hoje, estamos com 16 pessoas cadastradas.”

A coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, Maria Cristina Abbate, aproveitou a oportunidade para solicitar ao Ministério da Saúde a pulverização da oferta de PrEP em áreas mais distantes do centro. “Me preocupa mais aumentar a quantidade de serviços do que a quantidade de pessoas por serviço , porque nossa prioridade é aumentar o acesso”, afirma.

Assim, o Departamento de Aids afirmou ser necessário um plano claro de expansão e pensar em formas de fazer com que os serviços dispensem mais, assim como existe a possibilidade de ampliar para outras localidades. “Uma programação conjunta para que se possa sustentar os insumos e não faltar PrEP para aqueles que já aderiram.”


 testes. Os equipamentos serão distribuídos de acordo com critérios técnicos e operacionais para m

nicípios brasileiros. Com a medida, o percentual de diagnóstico da doença, com esta tecnologia, será ampliado para cerca de 75% de cobertura de casos novos. 

Acesse a minuta do plano aqui: https://files.acrobat.com/a/preview/15f27a47-3058-4c12-9898-3b78417ffb1f 

Fonte: http://15expoepi.com.br/plano-nacional-pelo-fim-da-tuberculose-sera-lancado-na-expoepi/